Sexta-feira, Março 20, 2026
Sexta-feira, Março 20, 2026

Alcobaça, Ena pá 2022

Data:

Partilhar artigo:

Quando vim morar para Alcobaça “definitivamente” (há cerca de cinco anos), dizia maravilhas da cidade. Era até chato com isso, como muitas vezes me relembraram. Há sempre esta necessidade parva de pormos o entusiasmo dos outros em sentido. Uma vez em Leiria, alguém me disse: “estás apaixonado, isso passa-te.” Referia-se, obviamente, à cidade, porque as pessoas, essas, amam-se sempre. Passado algum tempo, comecei a ver o lado menos “virtuoso” da cidade da “paixão”. O estacionamento “onde calha”, não parar nas passadeiras, a “menor” oferta cultural, uma certa maledicência de “esplanada”. Com a pandemia reparei numa vontade irresistível de fazer queixinhas uns dos outros; nos abominavelmente medievais artigos do padre da paróquia, nalguma mesquinhez rabuja. Nestes dois anos de degredo, estas coisas pesaram, afirmaram-se como uma espuma suja num mar outrora cristalino.

No entanto, lá saí à rua: fui às vacinas, conforme expliquei, e na segunda vez (benditas autárquicas!) nem deu para aquecer o lugar. Fui ver o João Paulo a cantar no celeiro e descobri que ali vai nascer um opera-café, com a assinatura do Luís Peças, garantia de qualidade. No Cistermúsica, reconciliei-me com a magia do mesmo, apesar de tão maltratado pelo Estado e opinião pública em tempos covid. No wine bar Saudade bebi bom vinho e boa conversa. No Trindade, comi o melhor caril de gambas do universo. Na João de Deus, agradeci às professoras por manterem a escola aberta até ao fim, apesar da travessia deste deserto. Na Ala Sul, descobri a ideia de um pequeno live club, no antigo Paris talvez me sente à mesa do chefe e, religiosamente, recebo sushi de primeira qualidade em casa, enquanto sonho com o Okazu na antiga pensão Mosteiro. Treinei com afinco no New Ground Fitness, nadei nas piscinas do CNAL, fui tratado com carinho na fisioterapia da Physioclem e, para afogar as mágoas, comprei vinho na melhor garrafeira do país.

A minha mulher, cá da terra, disse-me uma vez: “tu aproveitas melhor Alcobaça que eu!”

Região de Cister - Assine já!

A Sónia Tavares raramente se engana.

 

 

AD Footer
Artigo anterior
Próximo artigo

Artigos Relacionados

Hóquei: Turquelense Pedro Batista conquista Troféu WSE pelo Valongo

O Valongo viveu um momento histórico, este domingo, ao conquistar o Troféu WSE. O emblema português, que contou...

Dia do Pai: estes jovens viram nos pais um exemplo a seguir

Há heranças que não passam por bens materiais, nem ficam escritas em documentos. Passam nos gestos repetidos ao...

Urba celebra meio século com olhos postos no futuro

A União Recreativa do Bárrio (Urba) chegou aos 50 anos e, num tempo em que muitas associações fecham...

Geração Depositrão já recolheu mais de 8 mil quilogramas de resíduos elétricos

O Centro Escolar de Alcobaça voltou a afirmar-se como uma referência na educação ambiental através da participação no...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!