Segunda-feira, Dezembro 5, 2022
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Esta região (ainda) é para velhos

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A população da região de Cister está ainda mais envelhecida: os resultados dos Censos 2021 retratam um aumento da população idosa nos concelhos de Alcobaça, Nazaré e Porto de Mós. Segundo o Instituto Nacional da Estatística, os idosos representam cerca de um quarto de toda a população residente.

Segundo os Censos de 2021, Alcobaça tem mais 2.561 habitantes com 65 anos e mais do que em 2011, uma variação de 21,9%. No concelho, contabilizam-se 14.266 idosos. Olhando para a faixa etária dos 0 aos 14 anos, em Alcobaça há também menos crianças (1.035).

Na Nazaré, contabilizam-se mais 850 habitantes com 65 anos do que em 2011, uma variação de 27,8%. Há 3.053 pessoas com mais de 65 anos a viver neste concelho. Registam-se igualmente menos crianças (242), dos 0 aos 14 anos.

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O mesmo cenário em Porto de Mós: o município tem mais 734 habitantes com 65 anos em relação a 2011, uma variação de 14,5%. São agora 5.794 idosos naquele território e 2.876 crianças. Há também menos crianças (782), dos 0 aos 14 anos, em relação a 2011.

Perante os resultados dos Censos, que vêm carimbar a mudança na demografia do país, e a propósito do Dia Mundial da Terceira Idade, que se celebra amanhã, olhemos para a necessidade de criar mais e melhores respostas sociais para os idosos. Até porque, o envelhecimento da população é um dos maiores desafios para a sociedade atual, que terá de se adaptar de modo a maximizar a capacidade funcional e a saúde dos mais velhos, assim como a sua participação e integração social.

Com a quebra de nascimentos dos últimos anos, a dependência dos fluxos migratórios para equilibrar a população ativa e o aumento da esperança de vida nas últimas décadas, os números não são surpreendentes. A estimativa é de que a população portuguesa fique pela primeira vez abaixo dos 10 milhões de habitantes em 2042, o que a este ritmo poderá acontecer ainda mais cedo. Além disso, a diminuição da população jovem é a que mais parece galopar sobre aquilo que eram as projeções.

À margem da visita da ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social às novas instalações do lar da Santa Casa da Misericórdia de Alfeizerão, na passada terça-feira, Ana Mendes Godinho reforçou ao REGIÃO DE CISTER a mensagem de que “a tendência demográfica tem de ser uma prioridade de todos nós”. “Por um lado é preciso garantir condições de sociedade para fixar os jovens em Portugal, mas também é necessário criar novas respostas para o envelhecimento“, argumentou a governante.

Para isso, o Governo lançou avisos no âmbito PRR para investimento social para respostas para o envelhecimento. “Temos 600 milhões de projetos aprovados em todo o País para respostas sociais, para 37 mil pessoas, e estamos a lançar neste momento avisos dedicados a respostas novas para o envelhecimento”, adiantou a ministra. No fundo, diz Ana Mendes Godinho, estão a ser “estimuladas novas respostas, que promovam a autonomia, a independência, com serviços partilhados e que permitam que a pessoa mantenha a sua autonomia, mas tenha a capacidade de não estar isolada, também colocando as tecnologias de informação ao serviço das respostas sociais”.

Nos anos 60 do século passado, a esperança média de vida para as mulheres era de 66 anos e para os homens 60. Agora, aos 65 anos, as mulheres podem esperar viver mais 20 anos e os homens mais 17, com o aumento da esperança média de vida para 80 anos, segundo dados de 2012. Estes dados também ajudam a explicar a tendência da evolução demográfica.

Outro dado a reter é que das pessoas entre os 55 e os 64 anos, apenas metade estão empregados, enquanto a maioria dos pensionistas de velhice da Segurança Social (77,9%) recebe pensões inferiores ao salário mínimo nacional. Com este acentuado envelhecimento das sociedades, as respostas sociais terão de ser novas.

Segundo a última edição da Operação “Censos Sénior”, que visa garantir um conjunto de ações de patrulhamento e de sensibilização à população mais idosa, que vive sozinha, isolada, ou sozinha e isolada, através da atualização dos registos das edições anteriores, a GNR sinalizou 44.484 idosos que vivem sozinhos e/ou isolados, ou em situação de vulnerabilidade, em razão da sua condição física, psicológica, ou outra que possa colocar em causa a sua segurança. No distrito de Leiria, eram 1.203.

Os municípios tendem a dar cada vez mais atenção a questões como o envelhecimento ativo, a independência física, económica e social dos mais velhos, mas para quem procura uma vaga num lar de idosos na região, a lista de espera é uma certeza. Os responsáveis das Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) e das misericórdias pedem, por isso, um olhar mais atento para os “nossos” velhos.

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