Três meses depois da passagem da tempestade Kristin, ainda há muito por resolver. O executivo municipal de Alcobaça admitiu, na reunião de Câmara pública da passada sexta-feira, não saber como resolver dois dos maiores problemas provocados pelas intempéries, que implicam intervenções com investimentos bastante avultados.
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Em causa estão a Estrada Nacional 242, entre a Cela Nova e a Cela Velha, cuja intervenção poderá atingir os 4 milhões de euros, e a descida dos Casais da Vestiaria às Termas da Piedade, com uma estimativa na ordem dos 2 milhões. O presidente da Câmara reconhece as dificuldades, afirmando que o executivo ainda não encontrou uma solução para as situações. No caso da 242, admitiu mesmo que poderá ser mais viável equacionar a construção de uma nova via alternativa.
Apesar das incertezas, Hermínio Rodrigues destacou o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido no terreno desde a tempestade, sublinhando que chegaram a estar seis equipas a apoiar diretamente as populações. Referiu ainda que Alcobaça é um dos municípios com maior número de vistorias realizadas e apoios pagos, acrescentando que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo já transferiu mais de 300 mil euros, num total de pedidos que ronda os 5 milhões de euros.
No terreno, há várias intervenções já em curso. Entre as quais, a obra na Rua dos Poços da Cal, na Maiorga, após uma derrocada, num investimento próximo dos 400 mil euros, bem como os trabalhos nas piscinas de Pataias, cuja requalificação avança a bom ritmo, e na escola de Pataias. Estão também a decorrer intervenções em taludes, nomeadamente na descida da Vestiaria para Alcobaça.
Na mesma reunião, foi ainda discutida uma proposta apresentada pela vereadora do Chega, Isabel Ventura, para isentar da derrama municipal as empresas afetadas pela tempestade. A eleita justificou a medida com os impactos profundos na economia local, lembrando que algumas empresas foram obrigadas a interromper a atividade e outras continuam sem condições para funcionar.
A proposta, que teve os votos favoráveis do Chega e do PS, acabou por ser rejeitada pelo PSD, com cinco votos contra. O vereador Diogo Ramalho considerou positiva a intenção, embora tenha alertado para a dificuldade na definição de critérios de aplicação. Já o presidente da Câmara afirmou não compreender a oportunidade da proposta neste momento.
A reunião ficou ainda marcada pela questão levantada por Diogo Ramalho sobre a Área de Localização Empresarial da Benedita (ALEB), onde, após a tempestade, foram registadas imagens de zonas parcialmente submersas. O vereador sem pelouro questionou o executivo sobre a eventual necessidade de reforçar a capacidade de drenagem e sobre o risco de futuras inundações, sobretudo quando avançarem novas construções no local.
Em resposta, o chefe de executivo explicou que a retenção de água ocorreu de forma intencional, uma vez que não existe atualmente um descarregador na lagoa principal a jusante. Segundo o edil, a decisão visou evitar cheias noutras zonas do concelho, como Chiqueda, que este ano não registou inundações precisamente devido a essa retenção. Ainda assim, admitiu que, com o desenvolvimento da área empresarial, será necessário reabrir a linha de água, permitindo o escoamento natural.


