A Marisqueira Tonico, nas Paredes, assinalou, na passada segunda-feira, 50 anos de portas abertas. Meio século depois de António Manuel Raimundo, conhecido por Tonico, ter iniciado o seu próprio negócio, a casa continua a ser uma referência gastronómica da região e um nome incontornável para quem procura marisco fresco à beira-mar.
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A história começou a 1 de junho de 1976, quando Tonico abriu o então bar Onda Quebrada. O arranque não foi fácil. No dia em que celebrou os 50 anos da casa, o fundador recordou a aflição dos primeiros momentos. “As minhas lágrimas corriam-me pela cara abaixo”, conta, emocionado. “Eu só tinha dívidas, não tinha mais nada. Como é que eu vou pagar isto tudo? Era nisso que eu pensava”. Cinquenta anos depois, aos 78 anos, olha para o caminho percorrido com orgulho: “Hoje, felizmente, não devo nada a ninguém. Só devo amizades e carinho a todos”.
O nome Tonico surgiria cinco anos depois e acabaria por se afirmar como marca familiar. As navalheiras foram o primeiro grande símbolo da casa, mas a ementa cresceu e inclui hoje sapateiras, lagostas, lavagantes, percebes, canilhas, bruxinhas, cavacos e peixe fresco da costa portuguesa. Nos anexos do restaurante, os viveiros continuam a garantir a frescura do marisco servido à mesa.
Mas a ligação da família Raimundo à restauração nas Paredes da Vitória é ainda mais antiga. O espaço onde hoje funciona a marisqueira já fazia parte da memória da praia desde 1930, quando António Rodrigues Raimundo, pai de Tonico, abriu ali uma taberna que também servia de mercearia.
Hoje, a continuidade está nas mãos da nova geração. Maria Inês Raimundo gere a marisqueira com o irmão, João, e assume que dar seguimento a uma casa com esta história “é uma grande responsabilidade”. Ainda assim, sublinha que o caminho tem sido feito com o apoio de uma equipa que conhece bem a identidade da casa. “Tenho uma equipa que me acompanha e alguns já vêm de trás. Por isso, tem sido um desafio também mais fácil”, afirma.
Entre esses rostos está António Arrimar, o funcionário mais antigo. Começou a ajudar ao fim de semana e nos feriados, em 1976, quando aquilo “era só café”, e nunca mais deixou a casa. Aos 70 anos de idade, depois de uma vida de trabalho na fábrica Santos Barosa, continua ligado à marisqueira. “Sempre gostei desta família. Sempre me trataram muito bem”, diz. E deixa uma promessa simples: “Só quando não puder das minhas pernas é que eu desisto”.
Apesar da celebração, o futuro traz preocupações. Maria Inês Raimundo reconhece que a equipa é um dos maiores desafios da marisqueira, sobretudo porque alguns dos colaboradores mais antigos estão em idade de reforma. “Habituámos os nossos clientes a um patamar de serviço muito alto. O nosso maior medo é continuar a dar aos clientes o mesmo serviço”, admite.
A qualidade do produto, garante, é algo que a casa consegue controlar diariamente. “O produto é o melhor que há no mercado.” Já a contratação de pessoal é mais difícil, sobretudo numa praia afastada dos grandes centros. Por isso, a administração está a procurar soluções para fixar trabalhadores em Paredes da Vitória, incluindo a criação de alojamento.
“Estamos a tentar criar condições para fixar cá pessoas que nos ajudem a continuar esta história”, explica Maria Inês, defendendo que o problema é mais amplo e exige reflexão nacional. Para já, a Marisqueira Tonico celebra 50 anos de passado, mas com a consciência de que a próxima grande missão é garantir equipa para continuar o futuro.


