A MD Plastics reforçou a produção de energia renovável na fábrica de Valado dos Frades, no concelho da Nazaré, com uma central fotovoltaica de 831 kWp destinada a alimentar parte do processo industrial de injeção de plásticos.
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A intervenção integra a expansão das infraestruturas solares do MD Group nas unidades de Valado dos Frades e Leiria e assume um significado particular no caso da fábrica nazarena. Quando iniciou a atividade, em 2016, a primeira empresa a instalar-se na então recente Área de Localização Empresarial enfrentou dificuldades na ligação à rede pública de eletricidade e teve de recorrer a dois geradores para assegurar a laboração.
De acordo com dados tornados públicos à data, a solução provisória agravou a fatura energética da empresa em cerca de 60 mil euros por mês e terá provocado perdas diretas de 1,5 milhões de euros num ano. A unidade funcionava a metade da capacidade, tendo cancelado encomendas e adiado prazos de entrega, numa altura em que os custos da energia ameaçavam a competitividade da empresa.
O impasse condicionou também o projeto inicial do MD Group para Valado dos Frades. O grupo adquirira quatro hectares na área empresarial e pretendia transferir de forma faseada as suas três empresas, concentrando naquele polo uma comunidade laboral de cerca de 250 pessoas. O programa de transferência das restantes unidades acabou por ser suspenso.
O conflito entre a empresa e o Município da Nazaré prolongou-se durante vários anos e terminou com um acordo que obrigou a autarquia a pagar uma indemnização próxima de um milhão de euros à MD Plastics.
Uma década depois, a empresa procura reduzir a dependência da rede e proteger parte do consumo industrial das oscilações dos preços da eletricidade através da produção no próprio local.
A instalação de Valado dos Frades é composta por cerca de 1.450 painéis fotovoltaicos distribuídos pelas coberturas da fábrica. Com 831 kWp de potência, foi dimensionada para assegurar uma parcela significativa das necessidades energéticas do processo industrial.
A eletricidade produzida é consumida diretamente na unidade, diminuindo a energia adquirida à rede. Não foi divulgada a percentagem do consumo total assegurada pela central nem a poupança anual estimada.
O projeto foi concretizado através de um contrato de aquisição de energia, designado PPA “on-site”. Neste modelo, a GreenYellow assumiu o investimento, a instalação, a operação e a manutenção dos equipamentos, enquanto o MD Group compra a energia produzida na fábrica.
A solução permite à empresa beneficiar de eletricidade renovável sem suportar diretamente o investimento inicial e obter maior previsibilidade dos encargos energéticos, um fator relevante num setor industrial de elevado consumo e exposto aos mercados internacionais.
No conjunto das unidades de Leiria e Valado dos Frades, o MD Group passou a contar com cerca de 1,8 MWp de potência fotovoltaica. A produção anual estimada das duas instalações ascende a 1.593 MWh, volume que seria suficiente para assegurar o consumo elétrico de mais de 455 famílias.
A expansão deverá ainda evitar a emissão anual de cerca de 170 toneladas de dióxido de carbono. Os dados divulgados não individualizam, contudo, a produção correspondente à unidade de Valado dos Frades.
“Ao investir em energia limpa, estamos a preparar o MD Group para os desafios futuros e a contribuir ativamente para um setor industrial mais responsável e inovador”, afirma Bruno Campos, diretor de Qualidade do grupo.
A MD Plastics dedica-se à produção de componentes plásticos, nomeadamente para o setor automóvel. A fábrica, inaugurada em 2016, representou um investimento superior a dez milhões de euros.
A central solar acrescenta agora um novo capítulo à relação da unidade com a energia: depois de os custos e a falta de ligação à rede terem condicionado o início da atividade, a fábrica passa a produzir parte da eletricidade necessária à laboração.


