Há uma nova razão para entrar na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão — e, desta vez, não vem à colher. Chama-se “Bolacha Mariana”, tem farinha de amêndoa, recheio de doce de ovos e nasceu do encontro entre uma casa centenária, uma escola de hotelaria e uma jovem pasteleira desafiada a reinventar a tradição.
A nova criação foi apresentada na passada sexta-feira, na Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, no âmbito das comemorações dos 100 anos daquela referência da doçaria regional. A receita vencedora foi desenvolvida por Mariana Ferreira, aluna do curso de Gestão e Produção de Pastelaria e Padaria da Escola de Hotelaria e Turismo do Oeste, num concurso lançado pela empresa para assinalar o centenário.
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A bolacha procura recriar, noutro formato, sabores ligados à doçaria conventual e ao emblemático Pão de Ló de Alfeizerão. A combinação de farinha de amêndoa com doce de ovos convenceu o júri e deu origem a um produto que passa agora a integrar a oferta regular da casa.
Para Helena Castro, proprietária da Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, a iniciativa foi mais do que uma atividade comemorativa. “O ano passado tivemos várias atividades e achámos que era importante não só celebrar o passado, como também projetar o futuro”, explica. A criação da bolacha representa precisamente essa vontade de olhar para diante sem perder a ligação às raízes. “Foi o desafio que fizemos à nova geração de pasteleiros, neste caso da Escola de Hotelaria do Oeste: criarem um novo produto, não só para comemorarmos estes 100 anos, mas sobretudo para projetarmos os próximos 100”.
A aceitação, garante, tem sido “muito boa”. E aqui entra um ingrediente que não está na receita, mas que ajuda a vendê-la: a história. “Em todos estes produtos é importante o storytelling. Quando explicamos o que a bolacha representa, as pessoas querem experimentar e, depois de experimentarem, gostam e voltam a repetir”, conta Helena Castro.
Num setor que também atravessa dificuldades para recrutar mão de obra, a ligação às novas gerações ganha ainda mais importância. A Casa do Pão de Ló de Alfeizerão, sublinha a empresária, sempre foi uma casa feita de continuidade. “Temos funcionários cujos familiares já aqui trabalharam no passado. A nossa casa representa também essa ligação entre gerações”, acredita a guardiã da receita milenar do premiado pão de ló. Por isso, abrir portas a jovens em formação é também uma forma de preparar o futuro. “É importante trazermos os jovens que querem trabalhar nesta área, desde logo para nos conhecerem. Já nos conheceram, sabem que existimos, e nunca sabemos se no futuro voltamos a ser parceiros”, reflete Helena Castro, que sublinha que a empresa mantém também uma política de estágios, que permite aproximar os alunos da realidade empresarial. “Os jovens vêm aqui estagiar e também nos obrigam a refrescar as nossas ideias”.
A cerimónia de apresentação contou com a presença da presidente da Junta de Freguesia de Alfeizerão, Inês Delgado, e do secretário Mauro Verdasca. Para assinalar o lançamento, Helena Castro recebeu os convidados para uma degustação que juntou o tradicional pão de ló, a nova Bolacha Mariana e o já conhecido licor de pão de ló.
Entre a tradição que se mantém e a inovação que se experimenta, a Casa do Pão de Ló de Alfeizerão encontrou numa bolacha uma forma simples — e doce — de dizer que 100 anos são apenas o começo.


