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Dezenas de pais e alunos concentraram-se, na manhã de segunda-feira da passada semana, à porta do JI/EB1 da Martingança, num protesto que impediu o início normal das atividades letivas. Em causa estão episódios recorrentes envolvendo um aluno do 3.º ano, cujo comportamento, segundo os encarregados de educação, tem colocado em causa a segurança da comunidade escolar.
A situação não é nova e já se terá verificado no anterior ano letivo, mas ganhou agora maior dimensão com a decisão dos pais para obterem respostas. Entre os participantes no protesto estariam também encarregados de educação de crianças que entraram este ano para o 1.º ano.
Neusa Santos, representante dos encarregados de educação, explica que o aluno apresenta necessidades muito específicas e que, quando entra em crise, pode assumir comportamentos agressivos para com colegas, professores e assistentes operacionais. Alguns desses episódios já terão levado à intervenção dos bombeiros e da GNR, estando previsto que, em situações que não possam ser controladas na escola, seja acionado o encaminhamento da criança para avaliação hospitalar.
Os pais garantem, porém, que não pretendem afastar ou discriminar o aluno. “Queremos soluções para a segurança das nossas crianças, mas queremos principalmente soluções para esta criança e para a sua família”, sublinha a representante. Para os encarregados de educação, a resposta terá agora de envolver também outras áreas, nomeadamente a saúde, uma vez que, consideram, ao nível educativo já terão sido disponibilizados os apoios possíveis.
Na sequência do protesto, a diretora do Agrupamento de Escolas de Cister deslocou-se ao estabelecimento e promoveu uma reunião com representantes do Município de Alcobaça, direção e técnicos especializados do Agrupamento, Junta de Freguesia e pais. Manuela Lourenço garante que “a situação está a ser devidamente acompanhada pelos serviços educativos do Agrupamento de Escolas de Cister”, tendo o Município manifestado “total disponibilidade para o apoio necessário às medidas a serem implementadas”, em articulação com os serviços da educação, saúde e tribunal. Da primeira reunião não saíram medidas concretas, tendo ficado o compromisso de realizar contactos ao longo do dia e voltar a reunir ao final da tarde. Nesse segundo encontro foram analisadas várias possibilidades, entre as quais uma reorganização do horário escolar do aluno, maior acompanhamento pelo terapeuta afeto à escola, a eventual disponibilização de outras terapias ou oficinas e a criação de uma sala adequada às suas necessidades.
Os pais foram ainda informados de que tinha sido conseguida uma consulta de urgência no Hospital de Santo André, realizada nessa mesma tarde, estando igualmente prevista uma reunião de rede entre as entidades envolvidas no acompanhamento do caso.
Os encarregados de educação insistem que o objetivo passa por encontrar uma resposta que proteja toda a comunidade escolar, incluindo o próprio aluno e a respetiva família. “Não queremos que as soluções apareçam após acontecer algo de muito grave”, alerta Neusa Santos, sublinhando que os pais temem também que a sucessão de episódios acabe por afetar a imagem do estabelecimento e afastar famílias da escola da Martingança.


