Café-Supermercado Alexandre: um espaço familiar com séculos

Para os mais “antigos” é conhecido como o “Café do Alexandre”, mas, para as gerações mais recentes, “Café do Tozé” é o nome de referência. Quase a concluir 180 anos de existência, o estabelecimento, que já foi gerido por várias gerações e duas famílias, continua a ser uma referência para a população do Vimeiro. A simpatia e a proximidade com o cliente é o segredo do negócio... que nunca fechou portas mais do que um dia por ano.

O “Café-Mercearia do Alexandre” abriu portas em 1840 pela mão de Fernando Pereira. Anos mais tarde, em 1960, o negócio foi vendido, pelo sobrinho do fundador, a José Alexandre Silva. “O meu pai trabalhou aqui, diariamente até aos 80 anos. Agora, com 85, já não gere o negócio, mas todos os dias vem cá ver como estão as coisas”, conta António José Silva, filho do proprietário e atual gerente. Conhecido na freguesia como “Tozé”, o “faz tudo” percorre diariamente a área do café e da mercearia desde os 8 anos. “Tenho mais de 42 anos de negócio e posso dizer que todos os dias vim trabalhar com um sorriso no rosto. Mesmo que a vida não vá fácil”, confessa. Até há poucos anos, dizer que ia trabalhar “diariamente” não era apenas uma força de expressão pois, enquanto o negócio foi gerido pelo patriarca da família, abriu portas todos os dias do ano. Atualmente e com a ambição de “dar à família a atenção devida”, o vimeirense mantém as portas fechadas a 1 de janeiro. “E mesmo assim ainda há muitos clientes que reclamam, estão habituados a vir cá todos os dias e faz-lhes falta o cafezinho ou a conversa”, nota, com humor. Para “Tozé”, os clientes, muitos deles frequentadores do espaço desde crianças, são “amigos”. “Quando precisam de um quilo de arroz ou de um litro de leite correm aqui à mercearia. Mas se precisam de uma palavra amiga ou de um conselho também recorrem ao Tozé”, confessa. O proprietário revela que as pessoas de terceira idade são os principais clientes, “uma vez que não têm tanta facilidade em deslocar-se até às grandes superfícies comerciais”. 

Na mercearia ainda existe o “livro”, onde o empresário “regista os gastos dos seus clientes, liquidados ao longo do mês mediante as possibilidades de cada um. “Somos uma comunidade e, por isso, temos de zelar uns pelos outros. Não vou deixar faltar um litro de leite aos meninos porque os pais não têm uma moeda naquele dia, não é?” 

Além da gestão da mercearia e do café, António José Silva integra a Assembleia de Freguesia do Vimeiro, o Conselho da Paróquia local, os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia do Vimeiro e a organização dos serviços de ambulâncias da freguesia. “Diariamente recebemos mais de 150 clientes, trabalhei aqui a minha vida toda... quando a reforma chegar estarei aqui, à espera, feliz e pronto para descansar. Até lá vou trabalhar com um sorriso para todos”, conclui, pronto para servir mais um café.