Cistermúsica “erudito e popular” quebra todos os recordes de público

O Cistermúsica prometeu que em 2019 teria a edição mais ambiciosa de sempre, desde logo, pelo facto de a programação proposta ter sido mais diversificada, fazendo jus à temática escolhida – “erudito e popular”. O público respondeu, com muitos concertos esgotados, tendo o Festival de Música de Alcobaça atingido, este ano, um novo recorde. Em 32 dias de intensa programação contabilizaram-se mais de 8.500 espetadores em 50 produções, quase o dobro do público registado na edição anterior, muitos dos quais estrangeiros.

Para a organização do festival, os números “espelham o trabalho efetuado ao longo de muitos meses no sentido de manter a habitual qualidade artística nos programas de música erudita, mas também são o reflexo da aposta noutros géneros musicais, como o jazz, o fado, até mesmo as “músicas do mundo”, para além da continuidade na apresentação de projetos noutras áreas artísticas de que são exemplo a dança contemporânea, o cinema ou o teatro. 

“Tudo isto permitiu não só consolidar o público habitual do Cistermúsica mas também cativar novos públicos e ainda receber rasgados elogios da crítica especializada”, nota Rui Morais, da Direção do festival. De relevar também “a melhoria muito significativa nas condições de acolhimento, que proporcionou excelentes condições, amplamente elogiadas pelo público e pelos artistas nacionais e internacionais”, acrescenta o diretor executivo do Cistermúsica.

Ao longo do mês de julho, vários espaços do Mosteiro de Santa Maria receberam dezenas de espetáculos que fizeram de Alcobaça um local de peregrinação e de celebração da música, da dança e de outras artes. O último fim de semana do festival confirmou a abrangência desta edição, que desde a abertura registou grande afluência de público, aproximando-o à música erudita e ao património. O encerramento desta edição deu-se com um inesquecível concerto pelo Cuarteto Casals, no passado domingo.

O palco da Cerca do Mosteiro de Alcobaça foi um dos locais privilegiados do festival, recebendo grandes concertos que ficarão na memória de quem teve a oportunidade de assistir, como o dos norte-americanos Kronos Quartet e Madeleine Peyroux ou a Gala Lírica pela Orquestra Filarmónica Portuguesa, que arrebatou a plateia na noite do passado sábado, sem esquecer os espetáculos protagonizados pelos agrupamentos residentes, Coro e Orquestra da Academia de Música de Alcobaça e Banda Sinfónica de Alcobaça, só para citar dois exemplos.

“É possível afirmar que o festival aproximou o grande público, não só à música clássica, como também ao património”, enfatiza o diretor executivo do festival. 

O festival, que arrancou em 1992 com apenas quatro concertos no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça, tem vindo a desbravar caminho noutros territórios, tornando-se hoje no maior festival de música clássica do País. Extravasou as fronteiras do concelho de Alcobaça e foi conquistando um alcance nacional, sobretudo, através da Rota de Cister e agora da programação “Em Rede” e da “Rota do Oeste”.