Sábado, Outubro 17, 2026
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Loja do “Leão” aberta há mais de três décadas em Pataias

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No norte do concelho de Alcobaça todos o conhecem por “Leão”. Mas, na verdade, o homem nascido em 1946, que é proprietário da loja de materiais de construção na Rua Nossa Senhora da Vitória, em Pataias, chama-se António Vieira Vaz, nome que também deu à loja.

No norte do concelho de Alcobaça todos o conhecem por “Leão”. Mas, na verdade, o homem nascido em 1946, que é proprietário da loja de materiais de construção na Rua Nossa Senhora da Vitória, em Pataias, chama-se António Vieira Vaz, nome que também deu à loja.

Foi a 1 de julho de 1989, quase há 31 anos, que “Leão” abriu o espaço como hoje os clientes o conhecem. Essa longevidade é espelhada na relação de proximidade que tem com a maioria dos clientes, muitos de há décadas, a quem trata por “tu” e dos quais sabe bem mais do que o nome ou a rua onde vivem. 

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Pelas prateleiras da loja encontra-se um mundo de coisas muito além dos materiais de construção. A juntar aos já esperados cimento, ferros e afins, ali há ratoeiras, isqueiros e até molas da roupa. A lista é grande. Parece mesmo interminável. A destreza com que António Vieira Vaz percorre os corredores que o levam aos objetos que os clientes lhe pedem já não é, por certo, a mesma de há três décadas. Mas sabe onde está cada parafuso e tem a certeza de tudo o que tem e o que não tem. “Tenho fechaduras muito semelhantes, mas a medida não é bem a mesma”, atira a um cliente habitual. Ainda assim, lá vai ele corredor fora para mostrar do que se trata. Homem calmo que mostra uma paciência invejável numa loja que já teve muito mais clientes do que nos dias que correm.

“Meti-me neste meio, mas não percebia nada disto. Foi aos poucos”, recorda. As memórias fazem-no recuar aos tempos antes da década de 1990, quando largou a indústria da cal. Por essa data, existiam apenas três fornos da cal em laboração em Pataias e um deles era de António Vieira Vaz (os outros dois pertenciam a Joaquim Vieira Grilo, proprietário do último forno em atividade em Pataias, cujo encerramento, em 1995, ditou o fim da indústria da cal), de acordo com a investigação levada a cabo recentemente pelo historiador Tiago Inácio, ao serviço da União de Freguesias de Pataias e Martingança.

António Vieira Vaz foi, portanto, um dos últimos industriais da cal, negócio herdado do pai, que lhe legou um forno na atual Rua da Estação em Pataias-Gare. A cal ficou no passado e hoje é mesmo da loja que o pataiense gosta. “Não está nos meus planos deixar isto até a saúde o permitir”, diz sem qualquer hesitação.

Com uma filha e um filho, é na mulher, companheira também de loja, que “Leão” se apoia. Um dia, quem sabe, se o filho agarrará o negócio. É, pelo menos, esse o desejo de António Vieira Vaz. E ele faz questão de o fazer saber.
 

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