Notícias no feminino

É muito mais o que as une do que aquilo que as separa. O “cliché” podia bem integrar o teleponto da história destas três mulheres que, além de partilharem a profissão, partilham as saudades que têm de Alcobaça. Rosa Oliveira Pinto (SIC), Cátia Nobre (CMTV) e Ana Valente (TVI) já se conheciam, mas só da televisão. O REGIÃO DE CISTER juntou-as no El Corte Inglés, em Lisboa, para que revelassem aos nossos leitores como é dar notícias no feminino e, ainda por cima, à frente das câmeras.

Rosa está “onde sempre quis estar”, Cátia confessa que a televisão a “escolheu” e Ana licenciou-se em Sociologia “consciente de que era um primeiro passo para poder ser melhor jornalista”. No estúdio ou em reportagem, as três profissionais sentem na pele (a do rosto, por sinal, sempre bem maquilhada) as diferenças entre ser mulher jornalista e homem jornalista. No mundo perfeito, e para Rosa Oliveira Pinto, “a resposta seria outra e a questão do género nem se colocaria”. Mas, um dos rostos dos jornais da SIC e da SIC Notícias, opta pela sinceridade: “não sejamos hipócritas: num primeiro momento ajudou ser mulher”. Soma o facto de a alcobacense dedicar muitas horas ao jornalismo desportivo e, por isso, terem sido criadas “novas e maiores dificuldades”. A jornalista defende também que “o sentido crítico fica mais aguçado quando são as mulheres a tratar de matérias que outrora eram apenas atribuídas aos homens”. Não obstante, a pivô da SIC diz ter a certeza que “um bom jornalista não é determinado pelo seu género”.

Na opinião de Cátia Nobre, “as mulheres estão constantemente a ser avaliadas pela sua imagem - quer estejam na televisão, quer estejam a tomar café”. A pivô da CMTV não é exceção, até porque diz “estar longe de ter as medidas ditas ‘normais’ para este mundo”. Mas, como “nada ergue uma barreira”, defende que a resposta para esses julgamentos é dada “com trabalho e dedicação”. 
Para Ana Valente, “aparecer no ecrã não é um propósito, é um meio”. “É um meio para contar histórias, para transmitir as notícias aos outros. Para transmitir a realidade”, descreve a jornalista da TVI desde 2009. Mas a imagem conta? “Conta, pois! Mas só para algumas funções ou vertentes do jornalismo televisivo”. No seu caso, essa questão garante não ser fundamental. “Claro que me preocupo com a imagem que transmito naqueles minutos em frente à câmara, mas o mais importante é o conteúdo”, acrescenta a jornalista, notando que “sejam homens ou mulheres jornalistas, o escrutínio é o mesmo”.

O trio considera que o facto de serem de Alcobaça as distingue de outras profissionais, no sentido de “falarem a mesma língua das pessoas de terras pequenas” (Cátia), permitindo uma “perspetiva mais alargada sobre a realidade, uma capacidade de leitura dos factos mais amplo, um conhecimento mais profundo sobre o país” (Ana) e “uma visão descentralizada” (Rosa). 
E pode uma notícia ser diferente se for dada por um homem ou por uma mulher?

“O que difere é a forma como é transmitida. As palavras, as expressões, a intensidade, a colocação da voz. Sejam homens ou mulheres. Cada um de nós coloca parte de si mesmo, na transmissão dessa notícia. Mas os factos não mudam”, defende Ana. Rosa partilha da mesma opinião: “o que difere é a forma como se escreve e como se transmite a notícia”. Mas, no caso de haver distinção, Cátia Nobre reitera que “não parte do género, mas sim da vivência de cada homem ou mulher”.