Passadeira

Drive-in Alcobaça

Por vezes Alcobaça é, infelizmente, como um enorme parque de estacionamento.

Na Avenida onde moro, por exemplo, há um parque a “apenas” 50 metros. Mas... nada feito. É deixar o carro ali mesmo na estrada, onde calha, porque é só mesmo um bocadinho, andar faz mal, estou com muita pressa, não estorva nada, esteja calado, mesmo que esteja à frente da sua garagem, mesmo que tenha de fazer uma manobra perigosa para sair e quase ser abalroado pelos carros que se apressam para destinos que não sabemos.

Ah! Que pena o carro não poder entrar connosco para dentro do banco, do notário, da loja ortopédica! Não ser tudo drive-in, para não termos de levantar a cornucópia para fazer nada. Claro... toda gente tem uma boa desculpa (e algumas têm mesmo) mas não será a lei não-escrita do civismo para todos? É que só assim podemos viver em comunidade. Mas não... o senhor é que é cá um mal-educado, a buzinar, não estou nada mal-estacionado/a mesmo que esteja em cima do traço amarelo, da passadeira, do lugar dos deficientes. E assim vai Alcobaça, meio confinada mas ao menos “segura”, com gente cheia da pressa das grandes cidades, sem ninguém saber muito bem porque.

Mas… muita atenção, que nem tudo é feito à pressa ou com pressa! O Cistermúsica ajuda a vencer o medo. Presenteia a cidade (faminta de cultura) com uma programação que nos faz respirar os ares benfazejos da música. A papelaria Cartilha e as suas simpáticas senhoras tem a livraria bem recheada e fazem da minha vida um processo muito mais simples com a pré-encomenda dos livros escolares (são tantos este ano!!!), o encampamento, um serviço com uma qualidade de topo para quem se dá o trabalho de a reconhecer.

Bem... não vos tomo mais tempo. Estão com pressa, já sei. Vão ali ao frango, de carro, pois claro que sim, há um lugar vazio no meio da rua, é só mesmo um bocadinho, fica mesmo aqui no meio da estrada, que se lixe. Vá lá, não seja parvo, não seja assim, não proteste, tenha juízo Fernando, você nem é daqui da terra.