Quarta-feira, Outubro 5, 2022
Quarta-feira, Outubro 5, 2022

Pedalada na Burinhosa acontece à moda antiga

Data:

Partilhar artigo:

Alguns dos participantes podiam nem saber onde ficava a pequena aldeia, mas, com tantas placas, sinais e setas ninguém se podia enganar no caminho para a Quinta da Valinha, na Burinhosa, que, no passado domingo, foi o ponto de partida para o Encontro Nacional de Bicicletas Antigas (ENBA).

A partida estava marcada para as 10:30 horas, mas muito antes de as pasteleiras se porem à estrada, o reboliço já era muito. Logo à entrada, o secretariado do Men in Bike (clube responsável pela organização do encontro), ‘chamava’ os participantes a levantar o respetivo passaporte. Depois do “check-in” e das boas vindas das meninas vestidas de vermelho e azul, ao estilo pin-up, o caminho era livre. Se bem que o papel A4 afixado num dos bares da quinta, no qual se lia “pequeno-almoço”, foi motivo de atração para muitos. “É um café e um pastel de nata, se faz favor”, pediu um dos 800 participantes da 11.ª edição do evento com mais pedalada do País.
Sim, isso mesmo. As inscrições esgotaram há um mês e meio e este ano o recorde de inscrições foi mesmo atingido. “Agora perguntam-nos quando chegamos às mil bicicletas, mas temos de crescer aos poucos, até porque queremos fazer as coisas com calma e segurança”, conta Rui Rodrigues, um dos homens que lançou o ENBA há 11 anos. Mas vamos por partes.
Há quem diga que neste dia também se comemora o Carnaval na Burinhosa. E a avaliar pela indumentária é bem capaz de ser verdade. Há de tudo e vêm de todo o lado: padres, padeiros, escoceses, árabes e há até quem traga o seu amigo de quatro patas. Vestidos com mais ou menos rigor, todos “pedalam” para apresentar o seu novo traje no grande dia. “Dediquei dois serões à preparação e confeção da roupa, inspirada nos anos 60, para o meu grupo vestir neste evento“, conta Alice Moniz, que veio da Maceira, concelho de Leiria, até à pequena aldeia da freguesia de Pataias e Martingança, para participar pela primeira vez no encontro, onde a irmã já é veterana. “Venho há quatro anos e trago a família toda. Este ano até o meu neto de 1 ano vem vestido a rigor“, refere a irmã Celeste Jacinto, para quem “o convívio e a tradição são o grande chamariz do ENBA”.
Ainda no “recinto”, e minutos antes da partida, são vários os olhares curiosos sob as duas exposições temáticas deste ano: “A bicicleta antiga como meio profissional” e “Bicicletas de criança”. Um dos “men in bike” [homens na bicicleta] anuncia que “dentro de dez minutos vai ter início o passeio de bicicletas antigas”, pelo que é momento de pegar na amiga de duas rodas. Travões? Sim. Buzina? Siiiiiimmm. Ar nos pneus? Mais ou menos… Nos últimos preparativos, até os padeiros se “vestem” de mecânicos e sujam as mãos para garantir a sua segurança no percurso de cerca de 15 Km. 
Tudo começou há 11 anos com uma brincadeira a que responderam 27 ciclistas e respetivos velocípedes da Burinhosa. “Foi por carolice que um grupo de amigos se reuniu e decidiu criar o ENBA. Longe de imaginar que o evento tomasse estas dimensões, com inscrições de pessoas vindas de norte a sul do País“, confessa Rui Rodrigues, que comandou o pelotão. 
Diretamente da Murtosa, distrito de Aveiro, foram 11 os amigos que, pelo segundo ano consecutivo, prepararam o farnel, o traje e as pasteleiras para “participar no convívio”. E que convívio. Depois de alguns quilómetros percorridos entre euforia e sorrisos, as bicicletas foram trocadas, na paragem feita na Pedra do Ouro, por chouriça, pastéis de bacalhau, queijo, pão, fruta, água com gás e até uma garrafa de champanhe, no caso do tal grupo de amigos. “Conhecemos paisagens fantásticas e o espírito deste grupo é sempre uma animação“, sublinha Francisco Ernesto, ou “para os amigos” Ernesto Francisco, brindando com os amigos ao ENBA.
Entretanto, as “Donas Elviras”, como são chamadas as pasteleiras, voltaram à estrada. Mas, desta vez, não foi tão fácil para quem as pedalava. “Já não tenho força para tocar na buzina”, sussurrava um participante, visivelmente cansado com a subida. “Isto é quase a Volta a Portugal em bicicleta na Burinhosa“, confirmava o seu acompanhante do percurso.
3,2,1… “Já chegámos!”. É hora de voltar a agarrar nas marmitas, ir para as sombras disponíveis e recarregar energias com qualquer petisco que venha à rede. Até porque ainda há uma bicimobília para visitar e, só para os que aguentam a pedalada, a tarde prolonga-se até à noite, com a certeza de que para o ano há mais.  

AD Footer

Artigos Relacionados

Veio ter comigo hoje a poesia

Hoje a poesia veio ter comigo em forma de notícia e não poema. Um de nós, um dos...

Peões causam perigo no atravessamento da EN242 na Nazaré

O perigo para peões e automobilistas na Estrada Nacional 242, entre a rotunda do Pavilhão Municipal e a...

Livro enaltece maior produtora de garrafas do País há 80 anos

Mais do que um livro sobre uma fábrica de garrafas, a obra do historiador Tiago Inácio, apresentada no...

Rui Morais na administração do Teatro Nacional de São Carlos

Há um alcobacense na nova administração do Organismo de Produção Artística (Opart), que gere o Teatro Nacional de...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!