Sábado, Março 28, 2026
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“Praia do Norte é o Santo Graal dos surfistas de ondas grandes”

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O surfista norte-americano que ajudou a colocar a Nazaré no mapa internacional já se sente um pouco nazareno, tal o carinho que recebe das gentes da vila. Garrett McNamara agradece a possibilidade de surfar na Praia do Norte, que considera o Santo Graal dos surfistas de ondas grandes, e só tem elogios a fazer aos portugueses. 

REGIÃO DE CISTER (RC) > Recorda-se quando recebeu o e-mail de Dino Casimiro, em 2011, a convidá-lo para vir surfar as ondas da Praia do Norte? Como entendeu esse convite? 
GARRETT MCNAMARA (GM) > A verdade é que faço questão de responder sempre aos e-mails dos fãs e, por isso, não iria deixar de responder. Mas quando li aquele e-mail não tinha bem a certeza do que pensar. Portugal não era, à primeira vista, um destino para um surfista norte-americano e para, além disso, tinha decidido experimentar surfar na Europa, mas França era a minha primeira opção, não me passava pela cabeça surfar em Portugal. Apesar de tudo, decidi aceitar o convite e viajar pela primeira vez para Portugal. Quando cheguei à Nazaré fiquei surpreendido e maravilhado, pois pensava que iria encontrar uma pequena cidade de pescadores com umas 100 pessoas e percebi que, afinal, era uma cidade grande piscatória.

RC > E o que sentiu quando chegou à Praia do Norte?
GM > Viemos à Nazaré em novembro e fomos levados diretamente para o Forte de São Miguel. Quando lá cheguei, nem queria acreditar no que estava a ver. Percebi, imediatamente, que aquelas eram as maiores ondas do mundo. Eram ondas gigantescas, que impressionavam qualquer pessoa que para elas olhasse. Senti-me na obrigação de contar ao mundo que existia a Nazaré e estas ondas impressionantes. Não tinha a certeza que o projeto ia ter a dimensão mediática que alcançou, mas a nossa estratégia, desde o início, foi trazer cá as grandes televisões internacionais e isso abriu a porta para o que se seguiu.

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RC > Ainda se lembra da primeira onde que pegou na Praia do Norte?
GM > Recordo-me que a primeira sessão foi espetacular, com o número de ondas suficientes para que tudo corresse bem. Nem ondas a mais, nem a menos. Senti, naquele momento, que tinha encontrado algo especial e comecei imediatamente a montar a equipa para avançar com o projeto, a que decidimos chamar North Canyon.

RC > E ali quebrou um recorde do Guiness…
GM > Quando surfei a primeira vez na Praia do Norte senti que tinha encontrado o Santo Graal dos surfistas de ondas grandes a nível mundial. Sempre tive a sorte de surfar em lugares belíssimos, mas nada se compara à Nazaré. Adoro o Hawai, mas a Nazaré é muito melhor. Portugal é um País fantástico, maravilhoso. A comida, as pessoas, o mar, o sol, tudo me deixa encantado neste belo território. E, ainda por cima, aqui não há tubarões…

RC > Já se sente um nazareno?
GM > Sinto-me abençoado por ter sido tão bem recebido pelos nazarenos. São pessoas que nos dão muito carinho e força. Gostámos tanto desta terra que decidimos casar no Farol. Por isso, sim, creio que posso dizer que já me sinto um pouco nazareno.

RC > Conhece a alcunha com que os nazarenos o brindam: Má Cara?
GM > (risos) Já ouvi dizer que me chamam isso, mas sei que é na brincadeira. Havia um senhor da Nazaré que tinha essa alcunha, ainda não sei bem porquê, e que, devido à parecença com o meu nome em inglês, também me chamam isso, mas levo na desportiva. (risos)

RC > Sempre que vem à Nazaré come no restaurante “A Celeste”. Porquê?
GM > O que acontece é que “A Celeste” foi o único restaurante da Nazaré que acreditou no nosso projeto e fez um preço mais acessível ao município no início de tudo. Além disso, sentimo-nos em casa. Vimos cá todos os dias porque nos sentimos em família, mas também porque a comida é muito boaaaa. Claro que ficámos com uma relação pessoal muito boa, ela é quase a Tia Celeste para o nosso filho, Barrel.

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