Quinta-feira, Julho 7, 2022
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“O investimento no concelho é visível neste mandato”

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A cumprir o segundo mandato à frente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio anseia pela instalação de uma unidade hoteleira no Mosteiro e pela construção do parque verde, não esquecendo a cobertura dos cuidados primários de saúde e a continuação dos centros escolares. O autarca acredita na potencialidade do Jardim do Amor e avança que está a trabalhar com o seu homólogo da Nazaré num projeto para atrair mais turistas à região.

A cumprir o segundo mandato à frente da Câmara de Alcobaça, Paulo Inácio anseia pela instalação de uma unidade hoteleira no Mosteiro e pela construção do parque verde, não esquecendo a cobertura dos cuidados primários de saúde e a continuação dos centros escolares. O autarca acredita na potencialidade do Jardim do Amor e avança que está a trabalhar com o seu homólogo da Nazaré num projeto para atrair mais turistas à região.

 

REGIÃO DE CISTER (RC) > Cumpre o segundo mandato. Como tem conseguido gerir a autarquia sem maioria?
Paulo Inácio (PI) >
Tenho procurado gerir a Câmara com total dedicação e determinação e com o propósito intransigente de defender os superiores interesses do concelho de Alcobaça. Tenho de respeitar as posições das oposições. Por vezes, é uma tarefa difícil. Mas tenho conseguido, com muito esforço e dedicação, levar a água ao moinho.

 
RC > A Câmara aparece bem classificada nos rankings financeiros. Desde que tomou posse em 2009, afirmou que o equilíbrio financeiro era uma prioridade. Os munícipes podem questionar para quando investimentos. Concorda?
PI >
Não, isso é um equívoco… Efetivamente, a prioridade das prioridades foi a recuperação financeira. É por causa disso que hoje não tenho maioria. Tenho consciência de que optei pelo caminho mais difícil mas era uma questão estrutural e determinante equilibrar as contas para, posteriormente, ser possível fazer investimentos, apoiar a economia local e baixar impostos municipais. Neste mandato, o investimento é ainda mais visível. 

RC > Quais são os investimentos? E que impacto têm no concelho?
PI >
No primeiro mandato, ainda antes de vir a troika, percebi que tinha de ser feito este trabalho de recuperação financeira, sob a pena de Alcobaça não ter futuro. Alcobaça é, neste momento, o concelho com maior balança positiva do Oeste. Pagamos aos fornecedores a tempo e horas. Esta é a melhor forma de uma Câmara apoiar a economia local. Alcobaça tem, praticamente, a sua rede de cuidados primários de saúde concluída. Temos oito centros de saúde com infraestruturas condignas. Construímos os centros de saúde do Vimeiro e de São Martinho do Porto. Falta construir a Unidade de Saúde Familiar (USF) da Benedita, para a qual já lançámos a empreitada, e requalificar o Centro de Saúde de Turquel e a USF de Alcobaça. Requalificámos a Praça do Município, a Escola Secundária de São Martinho e criámos uma estrutura de apoio aos empresários com o Parque de Negócios. No desporto, antes tínhamos apenas um campo sintético, hoje temos quatro. Tem havido atualmente uma grande aposta na recuperação da rede rodoviária com vários alcatroamentos efetuados. Uma decisão histórica que tomei, no mandato anterior, foi a transferência do Hospital de Alcobaça para Leiria. Uma grande decisão estratégica que tomei, porque hoje o Hospital tem uma qualidade que nunca teve. 

RC > E o apoio às pessoas?
PI >
Foi durante o período de maior crise financeira, no meu primeiro mandato, que consolidámos a rede social. Hoje, temos lares e IPSS por todo o concelho. O município apoiou todas as instituições, num momento em que não havia fundos comunitários para estas infraestruturas. Milhões de euros de apoio para estas entidades sociais. Mais do que existir um investimento público forte, é necessário uma sociedade civil pujante. Foi neste mandato que se introduziram os manuais gratuitos para todas as crianças do concelho. Temos atraído muitas empresas de moldes que estavam na Marinha Grande e decidiram vir para Alcobaça. Apesar desse esforço financeiro que era necessário, os resultados estão à vista e orgulham-me. Recentemente inaugurámos a Praça Damasceno de Campos. Apostei na duplicação dos meios financeiros atribuídos pela Câmara às Juntas de Freguesia que hoje gozam de uma autonomia sem precedentes.

RC > A requalificação da estrada de Pataias é uma obra conjunta entre Alcobaça e Nazaré. Para quando mais obras ou ideias que unam os dois municípios com vista a atrair mais turismo?
PI >
Já apresentei ao meu homólogo da Nazaré uma visão futura de um projeto estratégico para os dois municípios. Não vou cometer a indelicadeza de o anunciar, sem estarmos os dois presentes. Há muito tempo que tenho um plano pensado com o município da Nazaré, que será brevemente conhecido. Será importante para os dois concelhos. A nossa equipa técnica, a quem já dei ordens nesse sentido, já está a trabalhar neste projeto estratégico comum. Quando tivermos ideias consolidadas, serão partilhadas publicamente.

RC > O IMI e o orçamento são sempre temas fraturantes, nomedamente para a oposição. Que caminho decidiu seguir?
PI >
Desde que entrei na Câmara que tenho feito uma recuperação financeira, sem aumento de impostos. O município tem feito uma política, primeiro, de manutenção dos impostos, depois de redução e, novamente, este ano, de redução. Foi reduzida ainda mais a taxa de IMI, através do IMI Familiar, que já está próxima dos patamares mínimos. Relativamente às dificuldades que decorreram na reunião de Câmara para a passagem do orçamento não é nada de estranhar… A oposição anda preocupada com a recuperação financeira do município, com obra já realizada e com os projetos que estão a ser delineados de acordo com a Agenda 2020 que agora começa a ser executada. Isso é normal, dado que se aproximam as eleições… O que sei é que tenho de defender os altos interesses do concelho de Alcobaça. Dos 21 milhões de euros disponíveis para centros escolares para toda a região Oeste o município de Alcobaça conseguiu cerca de 6 milhões de euros. Orgulho-me disso! Provavelmente foi isto que dificultou a aprovação do orçamento. Está a fazer-se obra e vem mais obra a caminho. Disso podem ter a certeza. No passado quando fiz recuperação financeira e fiz obra, utilizaram-se todos os meios e mais alguns para desinformar e equivocar, quando se chegou perto das eleições. É o que estou à espera, agora, para os próximos dois anos. Espero que os alcobacenses não se deixem enganar, porque não tenho muito tempo para explicar isso constantemente nas redes sociais. Todo o meu tempo é para trabalhar em prol do concelho.

 

“Quero que o Mosteiro seja um monumento vivo”

REGIÃO DE CISTER (RC) > Os mandatos de Gonçalves Sapinho ficaram marcados pela realização de muitas obras. O hotel no Mosteiro será a grande obra de Paulo Inácio?
paulo inácio (PI) >
Gonçalves Sapinho foi um grande homem e um estratega do concelho. Foi um grande presidente para os seus tempos. Agora, já noutros tempos, é necessário, na mesma, um presidente com visão de futuro. Um dos erros que, por vezes, acontece na política é estar à frente do seu tempo. Por vezes, acho que estou. Quando cheguei à Câmara comecei por fazer restrições de custos, porque sabia que o tempo me vinha a dar razão. Hoje, tenho a possibilidade de fazer mais investimento, mas sempre com os pés bem assentes na terra. O hotel no Mosteiro foi um processo que iniciei e que muitos diziam ser missão impossível. Consegui um passo gigantesco com a abertura do concurso público. Só ficarei completamente descansado quando ele estiver a ser construído e inaugurado. A certificação internacional do Hospital de Alcobaça e a construção do Hotel do Mosteiro são duas visões estratégicas de importância máxima: numa, já obtive a vitória, a outra tudo farei para obtê-la. 

RC > Criação de eventos, como o Books & Movies, ou a abertura do Museu do Vinho são fortes apostas na cultura. Defende que o empenho na cultura, apesar do forte investimento, é também uma mais valia para as pessoas?
PI >
Além de mantermos a excelência do Cistermúsica, criámos novos eventos culturais e educativos e uma nova forma de celebrar ao Carnaval. Para o Museu do Vinho temos feito um esforço para aumentar o número de visitas. Procuramos, através de uma ação integrada, que todas as escolas conheçam os espaços culturais e a história do concelho. O video mapping é outra referência. O Cine-teatro tem tido uma atividade forte. A cultura nunca foi abandonada. Estamos num apogeu cultural, apesar dos tempos difíceis.

RC > O video mapping, durante a Mostra de Doces, foi uma aposta ganha?
PI >
Com certeza! Uma aposta ganha que tinha de ser feita neste momento. Já tenho este projeto pensado há muito tempo, mas sabia que tinha de esperar pelo momento certo. A comemoração dos 25 anos de elevação do Mosteiro a Património da Humanidade foi a razão desta espera. Tinha legitimidade, por força desse aniversário e dada a dimensão do espetáculo, de apresentar o projeto ao Turismo do Centro, para nos apoiar. Conhecendo a excelência do ateliê OCUBO contratámos os seus serviços. Pedimos que se empenhasse a fundo, porque Alcobaça tem uma história de quase mil anos. É um espetáculo que apenas se encontra em grande capitais europeias. Quero que o Mosteiro seja um monumento vivo e que todos os alcobacenses se reconheçam nele, pela sua força.

RC > Tem sido questionado, com frequência, se  o Jardim do Amor está a cumprir a função de atrair mais pessoas à cidade…
PI >
Temos a ideia de construir uma casa, depois chegam os arquitetos e dizem que faltam parafusos… Mas nunca se lembraram de fazer a casa. Reconheço que falta o parafuso e já dei ordens para que seja embelezado. Entristece-me que quando alguém tem um ideia nova, apenas se apontem críticas. E dessas pessoas vejo zero. Deve ser dos poucos monumentos que tem um retorno económico direto. A verdade é que, por força das redes sociais, o Jardim do Amor tem corrido o mundo. Trata-se de uma aposta para afirmar Alcobaça como uma capital glamorosa dados que somos detentores da mais bela história de amor de todos os tempos (Pedro e Inês). Era um espaço que ninguém frequentava e hoje são muitos aqueles que o procuram.

RC > Passaram dez anos da requalificação urbana junto ao Mosteiro e o problema do saibro mantém-se. O que está a ser feito?
PI
> A intervenção conferiu outra monumentalidade e outra beleza ao Mosteiro, que até permite fazer espetáculos como o video mapping. Não se pode mudar a frente ao Mosteiro de cinco em cinco anos. A última mudança tinha sido em 1957, com a vinda da rainha, e depois com Gonçalves Sapinho. Não é possível, nem desejável, que se faça uma mudança estrutural ao que está bem feito. Agora, podemos melhorar o saibro, sem mudar a filosofia do projeto. Ou partimos para uma manutenção sistemática do saibro, mas com grandes custos, ou mudamos a tipologia do piso. Vamos escolher a melhor opção.

RC > Para quando a Área de Localização Empresarial da Benedita, tendo em conta que já há empresas a sair para concelhos vizinhos?
PI >
Fala-se da intencionalidade. Desconheço realidades objetivas. No dia 2 de dezembro, vamos reunir com restantes as entidades supramunicipais com objetivo de obter parecer positivo a este projeto. Se tivermos autorização, levamos o assunto a reunião de Câmara, seguida de discussão pública, para depois ser aprovada, se tudo correr bem, na Assembleia Municipal de abril. Um dos argumentos que temos preparados para apresentar aos fundos comunitários, face às restrições existentes das zonas industriais, é a procura que há por este espaço. Alcobaça não quer apenas uma zona industrial na Benedita, também quer em Pataias.

RC > O que podem esperar os alcobacenses para os próximos dois anos?
PI >
Acabar a rede de cuidados de saúde e dos centros escolares, iniciar o parque verde e avançar na pedonalização do Rio Alcôa são obras certas. Nestes dois anos garanto que será feita a ligação entre Alcobaça e Chiqueda, através do parque verde. Se estiver por cá no próximo mandato, é certo que vamos chegar à Nazaré. Queremos o Jardim do Obelisco e gostava de ver o início do Hotel no Mosteiro, bem como a ligação do IC9 a Aljubarrota e iniciar as novas zonas industriais, e requalificar alguns centros urbanos de freguesias, dando continuidade ao melhoramento da rede viária.

RC > Significa que está a pensar em recandidatar-se?
PI >
Significa que tenho de conversar em casa e falar com o meu partido…

 

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