Quinta-feira, Abril 9, 2026
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Café Tertúlia fechou portas no último dia do ano

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O novo ano começou com uma má notícia para o comércio de Alcobaça. O Café Tertúlia, o estabelecimento comercial mais antigo da cidade, fechou as portas oficialmente no último dia do ano 2016. 

O novo ano começou com uma má notícia para o comércio de Alcobaça. O Café Tertúlia, o estabelecimento comercial mais antigo da cidade, fechou as portas oficialmente no último dia do ano 2016. 

“É o fim de um ciclo. O Café Tertúlia esteve na mão dos meus pais durante 63 anos, mas não há mais condições para continuar”, lamenta Jorge Pereira de Sampaio, garantindo que há registos que provam a existência daquele local enquanto espaço comercial desde 1890. 

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Nas últimas seis décadas a casa foi gerida por Maria do Céu Sampaio, juntamente com o marido Luís Pereira de Sampaio até à sua morte, em 2013. “Fomos o segundo café a ter televisão em Alcobaça. O primeiro foi a Pensão Mosteiro, que já fechou”, conta Maria do Céu, recordando os tempos “em que a casa estava à pinha”. A escolha do nome do café, já em 2000, é justificada pelas inúmeras tertúlias culturais e políticas que ali existiram. “Chegaram a haver no café reuniões clandestinas antes do 25 de Abril“, recorda Jorge Pereira de Sampaio. Já no período pós-revolução foi espaço para noitadas e serões, sendo o café Tertúlia o ponto de encontro dos mais variados grupos políticos.

O estabelecimento comercial foi alvo de duas remodelações nas últimas quatro décadas: na primeira, em 1971, dividiu-se o espaço, cervejaria num lado e café noutro, e mais recentemente, em 2000, as paredes do estabelecimento comercial passaram a evocar a vida da poetisa Virgínia Victorino, que ali chegou a viver. Desde então, o Tertúlia assumiu um carácter mais cultural, nomeadamente com lançamentos de livros e sessões de poesia.

A idade da mãe e a vida profissional do filho são apontados como os motivos do encerramente do espaço histórico da cidade. “Nem uma coisa, nem a outra, são compatíveis com o profissionalismo e a atenção que o café merece”, adianta o ex-diretor do Mosteiro.

A desertificação do centro histórico da cidade também não ajudou: “à noite não se vê ninguém no centro da cidade. Urge que os nossos responsáveis autárquicos tomem medidas de incentivo para as pessoas voltarem a morar no centro, cultivando-se um gosto na reativação do comércio tradicional“, nota.

“Todo o dinheiro que gastei nesta casa empreguei nesta rua“, diz Maria do Céu Sampaio, que passou 63 anos dos seus 82 no Tertúlia, vivendo numa casa a escassos metros do café. “Estou triste e enervada com o fecho do café. Passei aqui uma vida“, confessa a comerciante, que a partir de agora vai passar as tardes na Galeria Conventual, que funcina ao lado do café. “Fizemos algumas mudanças naquele espaço para também funcionar como um local de venda de livros a preços acessíveis”, explica o filho. 

Mesmo de portas fechadas, a família Sampaio ainda acredita que apareça alguém que “modernize e recupere o espaço histórico e icónico de Alcobaça, que merecia ver a luz do dia”. Por enquanto, Maria do Céu ainda não consegue passar no café sem ir ligar as luzes. Foram 63 anos a fazê-lo.

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