Sábado, Agosto 13, 2022
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José Gil em entrevista

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No ano em que a S.A. Marionetas assinala duas décadas, o diretor artístico da companhia de bonecos sediada em Alcobaça, José Gil, faz o balanço do trabalho realizado, prometendo continuar a surpreender o público com novas produções de teatro de marionetas.

No ano em que a S.A. Marionetas assinala duas décadas, o diretor artístico da companhia de bonecos sediada em Alcobaça faz o balanço do trabalho realizado, prometendo continuar a surpreender o público com novas produções de teatro de marionetas.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Que balanço faz de 20 anos de atividade da companhia?

José gil (JG) > Isso é uma pergunta difícil. O balanço é positivo, obviamente. Foram 20 anos em que não parámos de fazer espetáculos. Estreámos peças novas todos os anos, à exceção de um ano. Houve até um ano em que estreámos cinco peças, que é uma coisa completamente de loucos. Felizmente, desde o início da companhia, sempre tivemos muito trabalho. Foi obviamente uma aposta arriscada. Há 20 anos quando se pedia dinheiro para um espetáculo de teatro de marionetas havia pessoas que se riam e perguntavam: “mas é preciso pagar?” Era muito complicado, mas a afirmação da S.A. Marionetas resultou de duas coisas importantes: tentar fazer sempre um trabalho de qualidade e não produzir nada muito infatilóide, sempre produzimos espetáculos para todas as idades e o nosso sucesso passa também pelo facto de o humor estar presente em 99,9% dos espetáculos. Todas as nossas produções têm um cunho de humor. Criar apenas peças originais também foi um risco, mas que resultou bem.

RC > Que lugar é que o teatro de marionetas ocupa em Portugal?

JG > Durante muitos anos houve um estigma, que felizmente está quase ultrapassado, que é o teatro de bonecos ser para crianças. Isto deve-se ao facto de ser um veículo de comunicação muito eficaz, o que faz com que seja muito utilizado no trabalho com crianças.

RC > Considera que a S.A. Marionetas também contribuiu para acabar com esse estigma?

JG > Sim, de certa forma sim. Para se ter uma ideia, o nosso primeiro espetáculo como estrutura profissional foi uma peça para adultos chamada “Drácula”. Era só para adultos e abordava temas como sexo, drogas, homossexualidade e vícios. E foi muito complicado fazer um espetáculo assim, que pouco ou nada vendeu, porque percebemos que estávamos a acelerar o processo de aprendizagem do público depressa de mais. Mas foi interessante, porque marcámos logo uma posição da companhia, recebemos vários convites para festivais e a partir daí criámos uma linha de espetáculo, em que o público fosse geral e não apenas específico para crianças.

RC > Qual o contributo da companhia e, em específico do José Gil, para reavivar o teatro tradicional, nomeadamente o Teatro D. Roberto?

JG > O Teatro D. Roberto tem outra história. A companhia acaba por nascer por causa do D. Roberto. Tive a sorte de conhecer o mestre António Dias, que foi um dos últimos mestres a fazer o D. Roberto. Quando tinha 12 ou 13 anos, ele veio cá várias vezes e ensinou-me a falar com a palheta e todo o processo do teatro D. Roberto. Não comecei a fazer bonecos por causa do D. Roberto, comecei a fazer teatro de marionetas ainda antes de montar o D. Roberto e só depois de formarmos a companhia é que estreei o  meu primeiro espetáculo de D. Roberto.

RC > A companhia apresenta muitos espetáculos no estrangeiro. A internacionalização foi uma necessidade?

JG > A internalização foi outra das nossas apostas há uns anos. Atualmente devemos fazer quase tantos espetáculos no estrangeiro como em Portugal. O público é que decide se as coisas são boas ou não e depois os programadores culturais veem se o público gosta ou não e convidam-te para festivais. Mas para isso temos de estar sempre ativos e a adquirir conhecimento e contactos para sermos bem sucedidos num mercado global. Neste momento seria impensável sobreviver só com os espetáculos em Portugal.

RC > O José Gil está muito associado em Alcobaça às marionetas. Quem é o José Gil que o público não conhece?

JG > O meu percurso é muito multifacetado. Apesar de os bonecos serem uma constante na minha vida desde os 12 anos, também tive uma grande parte da minha vida associado aos bares que existiram na cidade. Trabalhei em vários, ajudei a abrir uns e a construir outros. Houve uma época em que eu e a Sofia [Vinagre] tínhamos um bar, a Natacha [Costa Pereira] tinha outro, e os três tínhamos a companhia. Foram negócios que serviam de complemento para conseguirmos chegar onde estamos hoje, com uma estrutura profissional equilibrada que nos permite viver somente disto. Era uma forma de subsistência diferente.

RC > Além de trabalhar com bonecos, com o que é que ocupa o dia a dia?

JG > Isto é uma ocupação a 100%. Muita gente nem tem noção do que é construir um espetáculo. Nós construímos a história, construímos os bonecos, fazemos as estruturas, o design gráfico e a publicidade. Tudo é feito por três pessoas, tirando a música. É a história de fazer o foguete, lançá-lo e ir apanhá-lo.

 

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