Segunda-feira, Agosto 15, 2022
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Casa Alcobaça preserva tradição da louça da região

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O número 6 da Praça D. Afonso Henriques já nem sempre tem as portas abertas, devido à falta de clientes. Mas enquanto “tiver forças”, Levy Duarte de Campos Vazão vai continuar a fazer perdurar a tradição de uma das mais antigas lojas da cidade e que se destacou por ser a primeira que teve à venda a louça típica da região produzida pelas mãos do próprio Raul da Bernarda.

O número 6 da Praça D. Afonso Henriques já nem sempre tem as portas abertas, devido à falta de clientes. Mas enquanto “tiver forças”, Levy Duarte de Campos Vazão vai continuar a fazer perdurar a tradição de uma das mais antigas lojas da cidade e que se destacou por ser a primeira que teve à venda a louça típica da região produzida pelas mãos do próprio Raul da Bernarda. A “Casa Alcobaça” abriu pelas mãos do avô em 1885, como mercearia, e é mais um exemplo de sobrevivência do comércio tradicional. 

Tudo começou com António dos Santos Vazão, que ficou à frente da loja durante mais de meio século e até morrer, em 1939. Se o fundador da Casa Alcobaça ficou 54 anos à frente da loja, o filho teve uma gerência de 55 anos. Levy de Campos Vazão assumiu o espaço até 1994, quando chegou o momento de o filho, Levy Duarte de Campos Vazão, ficar com o negócio familiar. Já passou um
quarto de século, mas o fim deste mítico espaço na zona histórica da cidade pode estar muito próximo, pois a sucessão vai terminar.

“Esta loja vai acabar comigo. Os meus filhos deixaram Alcobaça, têm as suas profissões e carreiras, e não querem ficar com o espaço”, lamenta o homem, de 79 anos, que sempre trabalhou naquela loja e guarda muitas memórias.

“Quando era criança vinha ajudar o meu pai e nunca mais daqui saí. Foi esta a ocupação que sempre tive na minha vida e da qual não quero abdicar”, explica o alcobacense, que até podia ter nascido do outro lado do Oceano Atlântico.

Levy Duarte é o fruto de um amor que nasceu no Rio de Janeiro. O pai foi para o Brasil na década de 1930 em busca de uma vida melhor e foi em Copacabana que conheceu a futura mulher. Casaram e voltaram para Alcobaça, onde em 1939 o casal ficou à frente de um espaço comercial “que vendia um pouco de tudo”. E quando se diz tudo, era mesmo tudo, pois na Casa Alcobaça até… cabelos de D. Inês de Castro foram vendidos.

“Tínhamos muitos clientes, sobretudo turistas, que procuravam os artigos regionais, mas na maioria a louça típica de Alcobaça. Recordo-me de o meu pai ter sido o primeiro a vender a louça azul de Raul da Bernarda, a quem aconselhou, inclusivamente, a dar mais pintura às peças. O certo é que resultou. Quando a louça chegava vendia-se num abrir e fechar de olhos”, relembra Levy Duarte, assumindo alguma desilusão pela pouca procura pelo comércio tradicional na cidade. “Antigamente a EN1 passava mesmo aqui ao lado, tínhamos muitos clientes. Sem estacionamento, as
pessoas não entram nas lojas e vamos vendendo cada vez menos”, frisa. Hoje em dia, a loja continua a vender louça típica de Alcobaça, mas também artesanato e “algumas antiguidades, mas poucas”. Resta saber até quando.

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