Quarta-feira, Abril 24, 2024
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Turistas e emigrantes “sustentam” Casa das Malas e Casa Ferreira

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Já lá vão os dias em que para entrar na Casa das Malas, de Maria Lurdes Nascimento Armando, se fazia fila na Rua Frei António Brandão, em Alcobaça. Há 33 anos, a mulher, de 76, lia todos os dias o jornal para saber informações do câmbio, visto que lhe chegava dinheiro às mãos de vários países. Eram anos de muito movimento: quem por lá passava não resistia às malas, vergas e madeira que se vendiam. Vezes havia quando os bancos estavam fechados aos fins de semana e a própria alcobacense “cambiava” o dinheiro estrangeiro para escudos. 

Já lá vão os dias em que para entrar na Casa das Malas, de Maria Lurdes Nascimento Armando, se fazia fila na Rua Frei António Brandão, em Alcobaça. Há 33 anos, a mulher, de 76, lia todos os dias o jornal para saber informações do câmbio, visto que lhe chegava dinheiro às mãos de vários países. Eram anos de muito movimento: quem por lá passava não resistia às malas, vergas e madeira que se vendiam. Vezes havia quando os bancos estavam fechados aos fins de semana e a própria alcobacense “cambiava” o dinheiro estrangeiro para escudos.  

Começou por comprar a loja tal e qual como se encontrava, e fez do espaço a sua segunda casa. Mas, com a chegada das lojas chinesas, o mercado mudou. A clientela baixou e a comerciante foi obrigada a adaptar-se, passando a vender casacos de cabedal, pantufas de pele de carneiro, casacos de malha, aventais com o tecido de chita e outras lembranças. “O que se vende melhor ainda são as pantufas de carneiro”, nota Maria Lurdes, enquanto compara a qualidade das que têm com as que se vendem na concorrência. A qualidade é, precisamente, o que distingue esta “casa com história”, pelo menos no que diz respeito aos produtos têxtil e ao calçado. “Temos emigrantes que vêm cá todos os anos e levam para eles e para a família, porque reconhecem a sua qualidade”, acrescentou o marido José Vitorino Ferreira Santos, de 78 anos.

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Há cinco anos, o comerciante acrescentou ao negócio do casal a casa do lado, a Casa Ferreira. Enquanto casa de louça está aberta há cerca de meio século. Noutros tempos vendia apenas louça, agora vende também souvenirs. José Santos queixa-se do negócio: “cada vez se vende menos”. “Era uma rua com muito movimento e desde que deixaram de vir aqui as excursões tudo piorou”, lamenta o lojista, a propósito das obras que foram feitas no rossio e que “tiraram o movimento da rua”, ainda conhecida como Portas de Fora.

Ainda assim, os turistas, estrangeiros como nacionais, e emigrantes, continuam a principal clientela das duas lojas. Na Casa Ferreira, o que vende melhor é a louça azul de Alcobaça. “As pessoas vêm aqui mesmo para levar cerâmica de Alcobaça”, acrescentou. Também gostam de louça mais moderna. Os brasileiros são os principais clientes. A comerciante recorda um episódio em que uma turista inglesa a procurou para comprar um casaco. Percorreu a pensão ao lado, Corações Unidos, e por fim foi ao encontro da lojista.

O casal só fecha as lojas no Natal e no final do verão, quando o movimento na cidade acalma. Reformados, fazem dos negócios a sua ocupação, cuja localização lhes permite beber um café todos os dias com vista para o Mosteiro.

 

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