Terça-feira, Julho 5, 2022
Terça-feira, Julho 5, 2022

Padaria Lérias: um século de história de fabrico de pão

Data:

Partilhar artigo:

Foi em 1898 que a história desta “Casa com história” começou a ser escrita. Os bisavós dos atuais responsáveis abriram a padaria, em Turquel, fabricando pão e fazendo a distribuição com um burro. Volvidos 121 anos, a Padaria Lérias é uma referência no setor e na região.

 

Foi em 1898 que a história desta “Casa com história” começou a ser escrita. Os bisavós dos atuais responsáveis abriram a padaria, em Turquel, fabricando pão e fazendo a distribuição com um burro. Volvidos 121 anos, a Padaria Lérias é uma referência no setor e na região.

Nos primeiros tempos do negócio, a mãe dos atuais gerentes, quando era criança, subia para cima do burro, “sem ser capaz de descer ou de subir sozinha”, com a curiosidade de o burro já saber o caminho de cor. “Todos tiravam o pão, toda a gente a conhecia e lhe pagava”, conta Ana Luís, relembrando as histórias que a família lhe conta. Foram os bisavós de Ana Luís, que gere o negócio juntamente com o irmão, Pedro Luís, que estrearam o setor do fabrico de pão na região. “Não havia padarias próximas, praticamente em toda a freguesia da Benedita”, notou. Por essa razão, quando o País atravessou anos difíceis, como o pós Segunda Guerra, muitas famílias deslocavam-se de longe a pé para comprarem pão. A farinha era racionada e não podiam vender pão a quem não tivesse as senhas obrigatórias para a compra. Mas os mais necessitados, muitos de famílias numerosas, entravam pelas traseiras da padaria e “compravam” o pão. 

Hoje em dia o pão continua a ser elemento essencial das mesas das famílias. Razão pela qual, a Padaria Lérias continua a fazer o pão caseiro e os doces, que cativam gerações atrás de gerações. A comerciante confirma: “hoje atendo pessoas que, quando  nasci, já vinham cá. Desde criança que me lembro deles e eles lembram-se da minha mãe quando era criança. Vinham com os pais, ainda crianças, e hoje vêm com os filhos. É uma tradição cá em casa. Os clientes vêm, também eles, de geração em geração”.

E o que os cativa tanto? O pão confecionado no forno, de forma artesanal, os doces regionais e outras doçarias. Também os doces festivos são um ponto forte da variada oferta. “Há pessoas que vêm só no Natal e que são de longe”, confessa. A razão? Os fritos, como os sonhos, filhoses, coscorões e azevias, são feitos para comer e chorar por mais. Mas o atendimento personalizado também é uma marca da casa: conhecem os clientes pelo nome e trocam sempre dois dedos de conversa. 

Para dar resposta à procura também têm um balcão na Benedita, além da habitual distribuição. No total, emprega cerca de 15 funcionários, entre os que metem as mãos na massa e os restantes. Estão abertos todos os dias, até na manhã do dia de Natal e do dia de Ano Novo. Contudo, para Ana Luís não se trata de ter mais ou menos movimento. “Assistimos a uma alteração de comportamentos: há uns tempos tínhamos clientes que vinham só duas vezes por semana e compravam muito pão de uma vez e agora temos clientes que vêm duas vezes por dia”.

“É compensador atender essas pessoas que vinham sempre, e que continuam a vir. E nós vemos que também temos um papel importante para eles”, acrescentou. Talvez seja esse o segredo do seu pão.

AD Footer
spot_img

Artigos Relacionados

Colisão entre motociclo e veículo ligeiro provoca um morto na Nazaré

Um homem, de nacionalidade inglesa, morreu esta segunda-feira na Nazaré, na sequência de uma colisão entre um motociclo...

Uma “tasca” em alta rotação movida a gasolina e… caracol

Costuma dizer-se que quem anda à velocidade do caracol não chega propriamente rápido ao destino. Mas, por paradoxal...

Jovem detido por furto a residência em São Martinho do Porto

Um jovem de 25 anos foi detido, no dia 29 de junho, por furto em interior de residência...

Duas empresas de Alcobaça distinguidas como “Gazela 2021”

A construtora A.B. Inácio, LDA, sediada na Benedita, e a fabricante HC - Caixilharia LDA, localizada na Cela...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!