Segunda-feira, Dezembro 5, 2022
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Júlia das Flores: semear a esperança e colher o futuro

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Foi entre as flores que Júlia Veríssimo plantou um jardim de esperança. Depois de ter ficado viúva aos 27 anos, o irmão mais velho desafiou-a a trocar o peixe pelas flores e a semear um negócio na Rua Sub-Vila como florista. 

Foi entre as flores que Júlia Veríssimo plantou um jardim de esperança. Depois de ter ficado viúva aos 27 anos, o irmão mais velho desafiou-a a trocar o peixe pelas flores e a semear um negócio na Rua Sub-Vila como florista. Volvidos 40 anos, será pouco arriscado afirmar que não há ninguém na Nazaré que não conheça a Júlia… das Flores, como é conhecida entre os nazarenos.

“Antes de ter perdido o meu marido já gostava muito de flores e tinha algum jeitinho. E depois passei a frequentar muito o cemitério e a dar ainda mais importância às flores. Tive um ano em casa sem conseguir fazer nada… e foi por isso que o meu irmão me incentivou a abrir uma loja de flores porque não havia quase nada na Nazaré”, lembra a nazarena, notando ainda que a dura vida do mar causava muitas mortes. Acabou por ser ali mesmo ao lado que, em dezembro de 1979, abriu as portas para fazer os seus primeiros arranjos. Foram tempos difíceis. “As primeiras flores acabaram por morrer porque ainda não me sentia preparada para voltar a estar com as pessoas. Depois lá fui fazendo o que sabia e aprendendo“, confessa. “Demorava muito tempo a fazer os arranjos ou as coroas. Trabalhava de dia e de noite para ter as flores prontas às horas que o cangalheiro me pedia”, conta a florista, que acabou por “recrutar” a filha para a ajudar no negócio.

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Paula… das Flores chegou a faltar às aulas para ir ao mercado de Alcobaça. “Tinha 9 anos quando comecei a vir para aqui e aos sábados ia para o mercado. E há 35 anos que o faço”, revela a mulher que nunca fez outra coisa da vida, senão arranjar e vender flores. “Até ter a carta de condução apanhava boleia das mulheres do peixe. Depois no mercado chegavam a por-me uns caixotes por baixo dos pés para poder chegar ao balcão“, recorda. 

Na loja também não havia mãos a medir, entre funerais, casamentos e batizados. “Antigamente não havia o hábito de comprar flores para oferecer”, nota a florista, reconhecendo que “muita coisa mudou nesta área”. “Os homens tinham vergonha de vir comprar uma flor para oferecer e muitas vezes pediam para eu arranjar e esconder a flor numa coisa qualquer”, conta. Hoje em dia, comprar um flor ou uma planta à Júlia das Flores já se tornou um hábito, sejam eles nazarenos, “palecos” ou estrangeiros. “Os estrangeiros gostam de levar flores para a casa dos convidados onde vão jantar e tenho muitos clientes estrangeiros, mesmo sem perceber nada do que eles dizem”, conta Júlia, entre sorrisos. A rosa vermelha continua a ser a flor mais vendida e a orquídea a planta mais procurada. 

Das duas netas, há uma “que tem muito jeito para as flores”, confessa. Mas tem dúvidas de que ela seja a terceira geração desta história bonita com um prólogo triste. Seja como for, “haja saúde” para que mãe e filha continuem a regar a loja da florista mais antiga da Nazaré, fazendo desabrochar um sorriso por quem ali passa. 

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