Terça-feira, Agosto 9, 2022
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Tiago Pereira: “Está a ser a minha melhor época”

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Tem apenas 20 anos e já é o jogador natural do concelho de Alcobaça, e formado localmente, com mais presenças (33) na 1.ª Divisão nacional de futsal. 

Tem apenas 20 anos e já é o jogador natural do concelho de Alcobaça, e formado localmente, com mais presenças (33) na 1.ª Divisão nacional de futsal. Tiago Pereira representa o CCRD Burinhosa na Liga Placard e já superou jogadores como o ala Fábio Catarino ou o guarda-redes Rui Castelhano. Na curta carreira de jogador, o martingancense também já fez a estreia ao serviço da Seleção Nacional de sub-17 e e representa atualmente a equipa de sub-21, motivos mais do que suficientes para passar em revista o percurso na modalidade.

REGIÃO DE CISTER (RC) > Qual é o segredo para, sendo um atleta formado em clubes do concelho de Alcobaça, atingir este patamar?
Tiago Pereira (TP) > O “segredo” é todo o trabalho e dedicação que ao longo do tempo tenho colocado nos treinos e jogos e que, felizmente, têm sido recompensados com vários minutos no campeonato. É uma sensação de orgulho conseguir, aos poucos e poucos, ter pequenas conquistas que me levam a ir cada vez mais longe como atleta.

RC > Nomeadamente a estreia a marcar na Liga Placard… Já tinha imaginado esse momento?
TP > Já tinha pensado em como celebrar quando marcasse o meu primeiro golo… mas quando o fiz diante do Benfica foi um misto de emoções e fiquei sem reação. Lembro-me que quando estava a regressar ao meio-campo estava tão emocionado que ainda caiu uma lágrima. Foi um momento bastante especial.

RC > Como foi a chegada à equipa principal?
TP > Lembro-me do primeiro treino como se fosse ontem. Tinha ainda idade de juvenil e estava a passar férias na altura da passagem de ano, quando me telefonaram a dizer que precisavam de mim para ir treinar com a equipa sénior. Fiquei bastante entusiasmado.

RC > Aquele jogo em Alcobaça diante do Sporting nunca mais será esquecido?
TP > Sim, era júnior e estava a estrear-me na Liga. Lembro-me que quando o míster Alex Pinto me chamou fiquei bastante nervoso, mas depois de entrar todo esse nervosismo desapareceu e senti-me bastante entusiasmado por estar a realizar o meu primeiro jogo entre os melhores a nível nacional. O apoio do público também acabou por ser muito importante.

RC > Esta é já uma época para recordar? 
TP > Está a ser a minha melhor época. No primeiro ano como sénior estou, aos poucos, a conseguir ir ganhando o meu espaço na equipa e isso é muito motivador. Por outro lado também tenho conseguido afirmar-me na Seleção Nacional. Estive presente nas três convocatórias da equipa sub-21 e está a ser bastante importante no meu crescimento como pessoa e como jogador.

RC > Recorda a primeira chamada à equipa das quinas? Para um atleta de um clube da província deve ser algo único…
TP > Na primeira chamada à seleção nacional ainda tinha 15 anos. Estava a preparar-me para ir dormir, pois tinha aulas no dia seguinte e recebo um telefonema do meu atual treinador, o Rui Miguel, que me diz, muito entusiasmado, que tinha falado com um dos selecionadores nacionais e que eu tinha sido chamado para um estágio na Seleção Nacional. Fiquei tão contente que quase nem dormi nessa noite.

RC > E a chamada à equipa sub-21? 
TP > Estava a ter um dia normal de aulas na escola e tanto o meu míster Alex Pinto como alguns membros da Direção me informaram por mensagem que tinha sido chamado. Saí da aula à pressa e estava tão eufórico que não consegui voltar a entrar na sala (risos). 

RC > Mas a sorte nem sempre fez parte do vocabulário… 
TP > Sim… quando tinha 17 anos tive uma lesão grave e o prognóstico era muito pouco positivo e sinceramente pensei que nunca mais ia conseguir voltar ao que era. Perdi uma época inteira e durante todo esse tempo ainda pensei em desistir, porque a recuperação é bastante complicada e demorada, mas felizmente recebi bastante apoio e correu tudo da melhor maneira possível. Consegui voltar a fazer o que mais gostava ainda mais depressa do que o esperado.

RC > E o futsal sempre fez parte da rotina?
TP > Não. Quando tinha 5 anos joguei futebol ao serviço do Atlético Clube Marinhense, mas no ano seguinte foi criada uma equipa de futsal no clube da minha terra, o GD Martingança, optei por começar a jogar nos pavilhões. Desde então nunca mais parei.

RC > Começa no GD Martingança, segue-se a CB Pataias e uma interrupção de um ano no desporto… A que se deveu a paragem?
TP > Nesse ano não joguei em qualquer clube, porque andava muito desmotivado por não ter amigos a jogarem futsal comigo. Contudo, durante esse período tanto o treinador que estava na Burinhosa como o diretor da equipa me fizeram bastantes convites para os representar na época seguinte. Acabei mesmo por ir e, tendo em conta o panorama atual, foi a melhor decisão que tomei.

RC > Em que momento sente que pode ambicionar uma carreira profissional?
TP > O momento em que se deu o click foi quando estava numa das reuniões no meu primeiro estágio da Seleção Nacional de sub-17. Foi aí que tive consciência e pensei que se já tinha chegado até ali, nada me impedia de procurar realizar os meus sonhos e atingir objetivos ainda maiores na minha carreira.

RC > De momento quais são os objetivos de carreira, sendo que já tem estatuto de jogador de Liga?
TP > Quero afirmar-me no CCRD Burinhosa e ajudar o clube a conseguir alcançar os objetivos a que se propôs no início da temporada. Temos já a Taça da Liga em janeiro, na qual vamos jogar com o Benfica nos quartos-de-final e queremos fazer algo especial.

RC > Já surgiram propostas de outros clubes?
TP > Até ao momento não, mas o meu foco é apenas no CCRD Burinhosa. Se, um dia mais tarde, tiver algum convite analiso a proposta em conformidade com o que entendo ser o melhor para o meu desenvolvimento desportivo. Neste momento, estou convicto que é na aldeia do futsal que posso ganhar experiência e potenciar as minhas capacidades a um nível mais elevado.

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