Terça-feira, Maio 21, 2024
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Covid-19: Nascer em plena pandemia

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Nada foi como tinham imaginado. O primeiro filho é sempre difícil, mas ninguém avisou que ia ser assim. A pequena Madalena, que nasceu a 8 de abril, ainda não sabe… mas nasceu em plena pandemia mundial, sem que a mãe pudesse ter o pai ao seu lado no parto e sem que os familiares a pudessem visitar no hospital ou em casa. Não há quem esteja preparado para isto. 

Nada foi como tinham imaginado. O primeiro filho é sempre difícil, mas ninguém avisou que ia ser assim. A pequena Madalena, que nasceu a 8 de abril, ainda não sabe… mas nasceu em plena pandemia mundial, sem que a mãe pudesse ter o pai ao seu lado no parto e sem que os familiares a pudessem visitar no hospital ou em casa. Não há quem esteja preparado para isto.

Foi durante o último trimestre da gravidez da beneditense Juliana Rogério que surgiram os primeiros relatos do novo Coronavírus em território nacional. No início de março, quando o isolamento social já era uma medida quase obrigatória para os grupos de risco, nos quais se incluem as grávidas, a mãe de primeira viagem já raramente saía de casa. 

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“A grande maioria das consultas já tinha sido realizada, mas quando tinha de ir ao hospital para realizar as avaliações por CTG ia sempre devidamente protegida também pelo facto de ser asmática e o risco ser maior”, recorda. A cada consulta, Juliana Rogério verificou que o número de utentes diminuía e que as medidas de proteção foram sendo apertadas. “Fomos informados no final de março que teria de estar sozinha na sala de partos e que não seriam permitidas visitas. Sabia que eram medidas para garantir a nossa segurança, mas confesso que provocaram um pequeno aperto no coração”, desabafa.

Manter a serenidade, mesmo com um cenário cada vez mais negro, revelado pelas autoridades de saúde, foi um dos maiores desafios da gravidez. “Perante toda a instabilidade que nos rodeia, sempre tive como foco o bem-estar físico e psicológico para salvaguardar a saúde da minha filha”, revela. 

A bebé acabou por nascer no dia 8 de abril. “Dei entrada no Centro Hospitalar do Oeste, em Caldas da Rainha, às 9 horas, e a Madalena só nasceu às 20 horas. Durante todo este tempo estive totalmente sozinha”, recorda. O momento do parto foi “relativamente rápido” e, surpreendentemente, não foi para Juliana Rogério um dos momentos mais desafiantes desta experiência. “Para mim, o parto passou rápido. Tinha uma enfermeira ao meu lado a segurar-me a mão no lugar que deveria ser ocupado pelo meu marido. Foi um apoio importante de uma profissional muito dedicada, mas naquele momento tão íntimo, gostaria de ter tido o apoio do meu companheiro”, desabafa.

Os primeiros minutos de vida da pequena Madalena foram partilhados com o pai através de uma videochamada realizada pela médica. Após mãe e filha estarem instaladas no quarto, o progenitor teve autorização para fazer uma visita que durou… 20 minutos. “Nem demos pelo tempo passar. Este é um momento de grande emoção e sei que ele ficou triste por não poder estar mais tempo com a filha”, lamenta.

A beneditense permaneceu na unidade hospitalar durante quatro dias, sem receber visitas e a tentar gerir de forma autónoma o desafio de ser “mãe de primeira viagem”. “É o nosso primeiro filho e há um misto de emoções. Durante o internamento senti-me muito só porque não tinha o meu marido para partilhar a felicidade e a ansiedade de ter um ser tão pequeno nos braços. Foi muito difícil”, revela.

 Mas nem para os mais “experientes” nesta aventura da paternidade, o desafio é menos penoso. Daniel Marta deu as boas-vindas ao terceiro filho a 13 de abril, num hospital privado em Lisboa. A decisão de realizar o parto numa unidade privada foi motivada pelo desejo de tentar diminuir os riscos de contágio por Covid-19 e garantir a oportunidade de estar ao lado da filha nos primeiros momentos de vida. “O parto foi uma cesariana e já estava agendado. Foram realizados testes de despiste do novo Coronavírus antes da entrada no hospital e o ambiente era calmo, com circuitos muito bem delineados para impedir contacto desnecessário entre pacientes”, recorda. 

Feliz com a oportunidade de assistir ao nascimento de Maria Carolina, o pai reconhece que ter um filho em tempo de pandemia é, no mínimo, “impessoal”. “Toda a gente tem a cara tapada com as máscaras e as emoções não são tão notórias. Os contactos são limitados ao mínimo possível e, para mim, não poder receber visitas dos avós num momento tão especial é um pouco triste”, desabafa.

Daniel Marta, residente em Valado dos Frades, permaneceu ao lado da mulher e da filha durante os dois dias de internamento. “Sou um felizardo por ter ficado ao lado delas. Nem consigo imaginar a ansiedade daqueles que são pais pela primeira vez e são privados de partilhar estes momentos”, confessa. Quase toda a família já conheceu a Maria Carolina. Mas só por videochamada, claro. Os pais tentam registar todos os momentos para, mais tarde, quando for possível, partilhar com a restante família. 
 

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