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Barrenta, a aldeia artística do concelho de Porto de Mós

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Barrenta, “aldeia perdida” na Serra de Aire, localizada na União de Freguesias de Alvados e Alcaria, e que tem apenas 40 habitantes, ganhou uma nova vida desde o passado verão. 

Barrenta, “aldeia perdida” na Serra de Aire, localizada na União de Freguesias de Alvados e Alcaria, e que tem apenas 40 habitantes, ganhou uma nova vida desde o passado verão.

O projeto “Aldeia Artística” de arte urbana levou cor à povoação, num ano de pandemia em que os dias pareceram mais cinzentos. A iniciativa foi de Tiago Martins, um jovem de 28 anos a viver em Paris desde que nasceu, que quis fazer uma homenagem à aldeia dos pais, levando a arte e um toque de modernidade à terra que também considera sua. 

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“Sempre me fascinou o contraste da arte urbana com o meio rural”, começa por explicar Tiago Martins. “A ideia surgiu e logo se seguida consegui colocá-la em prática”, adianta.

O lusodescendente conseguiu reunir obras de mais de 50 artistas, de cerca de 15 países diferentes, representando todos os continentes, que lhe enviaram imagens para serem colocadas nas ruas da Barrenta. As obras são variadas: pinturas, azulejos, pequenos autocolantes, posters, tecidos e obras mais arrojadas.

A tempestade que atingiu a região há cerca de três semanas destruiu grande parte das obras, no entanto, Tiago Martins garante que já tem novos trabalhos para serem expostos. “Quando terminar o inverno e a época das chuvas, retomarei a exposição das imagens”, avança. “A ideia deste projeto é apresentar sempre criações novas e diferentes”, acrescenta.

O trabalho mais emblemático do projeto “Aldeia Artística” é da autoria do artista Nuno Costa, do Porto, que permanece intacto na casa que pertenceu aos avós maternos de Tiago Martins e que ilustra a tradição das concertinas na aldeia (na fotografia).

Tiago Martins não é do meio artístico. É engenheiro no setor do petróleo e do gás, mas o mundo das artes sempre o fascinou. “Adoro comunicar e planear e sempre tive vontade de levar algum projeto diferente à terra onde estão as minhas raízes”, revela.

“A Barrenta já era uma ‘aldeia artística’, devido à sua tradição das concertinas de quase  duas décadas. Quis tirar partido desta tradição para dar ainda mais visibilidade à povoação”, sublinha o jovem. A Barrenta recebe, todos os anos, em setembro, um encontro nacional de tocadores de concertina que envolve centenas de músicos e atrai milhares de visitantes.

“A nossa terra ficou ainda mais bonita, cheia de cor”, diz Emília Pinheiro, avó paterna de Tiago, visivelmente orgulhosa do neto. Apesar de visitar a região entre três a quatro vezes por ano, Tiago Martins tem vontade de viver em Portugal, e quem sabe, na Barrenta.

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