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Papelaria Império adaptou-se e mantém legado de décadas em Alcobaça

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Nasceu como mercearia especializada em iguarias de cozinha, mas rapidamente se transformou também em papelaria

Nasceu como mercearia especializada em iguarias de cozinha, mas rapidamente se transformou também em papelaria. Passou pelos tempos de ditadura, ganhou nova vida com o 25 de Abril e ali assistiram na “primeira fila” a um assalto à sede do PCP um ano depois da Revolução. A papelaria Império é uma das lojas de comércio mais antigas na zona histórica de Alcobaça, com 78 anos de atividade.

“O primeiro gerente – Adelino André – abriu este espaço como mercearia na década de 1950 e em 1973 foi o meu sogro, Elísio Fadigas Pereira, que se tornou proprietário da papelaria”, conta Joaquim Vicente, que “herdou” a gerência daquele espaço com a mulher Maria Helena Vicente, há 27 anos.

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Durante muitos anos o comércio centrava-se nos artigos de papelaria, mas ao longo do tempo e já com Joaquim e Helena Vicente à frente do estabelecimento houve necessidade de renovar o conceito. “A venda de livros escolares e artigos de papelaria já não tem o fluxo de venda significativo relativamente há dez anos”, sublinha o empresário, recordando os tempos em que acordava de madrugada para ir buscar os livros à editora em Coimbra e se deitava já depois da meia-noite a organizar as encomendas.

“Era uma vida muito cansativa e optámos por começar também a vender artigos de artesanato local”, nota, acrescentando que nos tempos que correm a “chita de Alcobaça” é um dos artigos com “mais saída”.

Ainda assim, o negócio já não vive dias de outrora. “Hoje o lucro dá para as despesas”, lamenta o comerciante, que adapta a montra da loja à época do ano. “No verão coloco peças de artesanato, mas quando chega ao Natal são os brinquedos que preenchem a montra”, afirma, recordando as noites de Natal que chegava ao jantar de consoada atrasado pois não tinha mãos a medir na loja.

Durante o Natal, quem passa na Rua Alexandre Herculano dificilmente não repara na montra de brinquedos da papelaria – sejam pequenos instrumentos musicais de brincar, como guitarras ou um acordeão, seja nos jogos de tabuleiro tradicionais.

Para o casal alcobacense, o futuro é uma incógnita: “Com a pandemia já pensámos encerrar a loja, mas foi aqui que fizemos grande parte da nossa vida e é também uma forma de nos manter ativos”, sublinha o comerciante de 66 anos que lamenta o futuro do comércio local. “Já não se dá o mesmo valor ao comércio local e facilmente somos ultrapassados pelas grandes superfícies”.

Nos últimos anos, o negócio estava a recuperar com o turismo, mas a pandemia travou o ritmo. Ainda assim, a papelaria Império mantém-se de portas abertas porque há um legado histórico a manter. Que se mantenha de portas abertas por, pelo menos, mais 78 anos.

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