Quarta-feira, Junho 29, 2022
Quarta-feira, Junho 29, 2022

Taberna da Ti Celina mantém vivas memórias de 75 anos

Data:

Partilhar artigo:

Está “perdida” entre as Serras de Aire e Candeeiros, em pleno Parque Natural, mas todos os que a conhecem sabem o caminho de cor. Localizada junto à Capela de Nossa Senhora da Saúde, no ponto mais alto da pequena aldeia de Casais de Chão, a cinco quilómetros de Serro Ventoso, a Taberna da Ti Celina continua a servir de ponto de encontro há mais de 75 anos. 

Está “perdida” entre as Serras de Aire e Candeeiros, em pleno Parque Natural, mas todos os que a conhecem sabem o caminho de cor. Localizada junto à Capela de Nossa Senhora da Saúde, no ponto mais alto da pequena aldeia de Casais de Chão, a cinco quilómetros de Serro Ventoso, a Taberna da Ti Celina continua a servir de ponto de encontro há mais de 75 anos. 

A “casa” foi fundada pelos pais de Maria Arcelina Penas, mais conhecida por Celina, que deu nome ao estabelecimento comercial e a quem carinhosamente tratam por “Ti Celina”. Nasceu e sempre viveu em Casais de Chão. Recorda-se de ajudar os pais na taberna desde que se lembra. Quando cresceu aprendeu a costurar e passou a dividir o serviço do pequeno comércio com a costura. Durante muitos anos trabalhou como costureira, em casa, para uma fábrica de luvas em Minde, no concelho de Alcanena. Hoje em dia, Maria Arcelina Penas vive apenas para o negócio localizado na Rua Teodoro dos Santos, que a ocupa a tempo inteiro, todos os dias da semana. 

 O estabelecimento mantém as características de construção originais. O pequeno espaço, com o teto em madeira e o chão e o balcão construídos com pedra da região, permite a todos que ali entram recuar no tempo e voltar aos anos 50 do século passado.     

A Taberna da Ti Celina deixou um marco na vida dos clientes e fá-los, nos dias de hoje, retornar à sua infância. “Lembro-me de ter 5 anos e vir sozinho comprar línguas de gato”, recorda Ezequiel Martins, que frequenta todos os dias a “tasca da aldeia” para “conviver” e “ver a taberneira”.  Já Samuel Antunes tem na memória os primeiros gelados da sua vida que ali comeu.

Nesta casa com história todos os dias há muita animação. Os amigos do costume juntam-se diariamente durante a tarde para beber uma ginja, um copo de vinho, uma aguardente ou uma cerveja e para “jogar conversa fora”. Falam de tudo um pouco, desde o tempo, as notícias da atualidade, a família e os momentos já vividos. 

“É uma forma de passarmos o tempo”, adianta Ezequiel Martins.  “Se a Celina fechar a taberna um dia fica logo a fazer falta”, frisa Arménio Bento. “Não existe aqui no lugar outro espaço para nos juntarmos e convivermos”, acrescenta.

É por estas e outras razões que Maria Arcelina Penas mantém o estabelecimento aberto das 9 da manhã às 11 da noite, de segunda-feira a domingo. Apenas fecha a porta para ir a uma consulta ao médico ou por outro motivo de força maior. Foi o que aconteceu há uns dias, em que Celina teve mesmo que se ausentar. “Para mim foi uma tristeza, esperei mais de uma hora junto à porta”, lamenta Joaquim Santo. 

Mas a taberneira também precisa de descansar e entre o Natal e a passagem de ano vai encerrar as portas para “recarregar baterias”.

AD Footer
spot_img

Artigos Relacionados

A leste, algo de novo: o despertar dos impérios

Gostaria de estar mais otimista. Porém, os últimos desenvolvimentos à volta da  Guerra na Ucrânia não me permitem...

Hóquei em patins: Biblioteca conquista torneio de encerramento em Tomar

A equipa de sub-15 da Biblioteca conquistou o torneio de encerramento depois de vencer o Sp. Marinhense (10-4),...

Casal de americanos escolheu Alcobaça para ajudar emigrantes

”Portugal the Place” é o nome da empresa de consultoria gerida por um casal de americanos em... Alcobaça. Colleen...

Concurso Mundial de Bruxelas distingue quatro vinhos de Alcobaça

Os vinhos Montecapucho Arinto 2017, da Quinta dos Capuchos, e Mula Velha Rose 2021, da Parras Wines, foram...

Aceda ao conteúdo premium do Região de Cister!