Querido REGIÃO DE CISTER,
Chegou o momento de me despedir de ti. Em quase 13 anos escrevi de tudo: boas e más notícias, sucessos, falhanços, polémicas, momentos de alegria e de tristeza. Vi sonhos tornarem-se realidade e vi história a acontecer. Planeei, falhei, caí, levantei-me, sonhei, desiludi-me. Fiz da Rua Frei António Brandão, uma das mais frias de Alcobaça, a minha segunda casa. Estive às tuas ordens de serviço até ao dia em que fui mãe. Quanto cabe em 4.578 dias, 655 edições, milhares de notícias e milhões de caracteres? A resposta fica comigo, nas memórias, nas aprendizagens, nas pessoas e nos leitores que me permitiram viver esta jornada ao teu lado.
Deixo em ti muito de mim e levo muito de ti em mim: nas páginas que escrevi, nas entrevistas que conduzi, nos projetos que acompanhei. Levo a amizade dos colegas e leitores que se tornaram amigos e a saudade de quem partiu pelo caminho, especialmente do nosso José Eduardo, que me acompanhou sempre, até ao fim.
A todos os que trabalharam comigo, obrigada. Não fiz tudo bem, mas dei sempre o meu melhor. Pelo caminho, todos juntos, ultrapassámos uma pandemia, inúmeros imprevistos e muitas dores. Tu, querido jornal, seguiste sempre firme, saindo à estampa, sem nunca falhar aos nossos leitores.
Saio com uma gratidão profunda, de coração cheio, e de forma especial a duas pessoas que marcaram esta minha trajetória: o Joaquim Paulo, que me ensinou a transformar o jornalismo numa missão de vida e que sempre me desafiou a ser melhor, e o Rui Morais, que me deu a oportunidade de ser jornalista nesta casa e, mais tarde, me confiou a Direção.
Hoje, ao fechar este capítulo, com a minha última edição como tua diretora, sinto que cumpri com o essencial: escrever e eternizar a história da nossa gente e da nossa região, com rigor, dedicação e amor.
E a si, que me lê, só posso dizer: obrigada. Por estar aí, todas as quintas-feiras e sempre que nos cruzámos por aí, por confiar em mim e me permitir viver e escrever esta história, que ficará para sempre comigo. Até breve!


