A Confraria de Nossa Senhora da Nazaré quer transferir os seus serviços sociais e assistenciais da envolvente do Santuário para a zona do Parque Atlântico, num plano estratégico de médio e longo prazo que tem como prioridade a construção de um novo lar. A intenção foi apreciada na passada terça-feira pelo executivo camarário da Nazaré, que se pronunciou favoravelmente.
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O presidente da Confraria esclarece, em declarações ao REGIÃO DE CISTER, que a iniciativa integra “um programa estratégico de médio/longo prazo que visa a reorganização integral dos seus serviços sociais e assistenciais”. Nuno Batalha esclarece que o programa assenta “na necessidade objetiva de transferir os serviços atualmente localizados na envolvente do Santuário para uma nova área — concretamente a zona do Parque Atlântico”.
A decisão, sustenta o presidente, resulta da transformação acelerada que o Sítio da Nazaré tem vivido nos últimos anos. “Esta decisão resulta de uma realidade que se tem vindo a intensificar, que é a crescente pressão sobre o Sítio da Nazaré, impulsionada quer pelo fenómeno das ondas gigantes, quer pelo aumento muito significativo do turismo religioso e cultural”.
Nesse contexto, a Confraria entende que os equipamentos que hoje funcionam junto ao Santuário revelam limitações claras. O presidente aponta dificuldades “ao nível de acessibilidade, funcionalidade e condições de prestação de serviço” e nota que a sua localização, “em plena zona histórica e de forte pressão turística”, dificulta a criação de “ambientes estáveis, protegidos e adequados às respostas sociais” desenvolvidas pela instituição.
A mudança projetada tem, por isso, um duplo objetivo. Por um lado, garantir melhores condições para os utentes, com infraestruturas modernas, eficientes e ajustadas às exigências atuais dos serviços sociais. Por outro, libertar espaço na envolvente ao Santuário para funções mais ligadas ao turismo religioso e cultural, reforçando a centralidade daquela área como lugar de atração e vivência espiritual. A Confraria entende que esta reorganização poderá permitir uma resposta mais qualificada às necessidades da população, ao mesmo tempo que contribui para uma gestão mais equilibrada de um território cada vez mais pressionado pela procura turística.
O primeiro passo desse programa já está definido. “O programa arranca com um primeiro projeto prioritário: a construção de um novo lar, concebido de raiz, com um modelo inovador ao nível dos serviços a prestar”, anuncia o presidente da Confraria. A instituição diz querer avançar com um equipamento preparado para responder aos desafios demográficos e sociais atuais, com padrões elevados de qualidade, conforto e eficiência.
A concretização do plano será, ainda assim, faseada e dependente de estudos técnicos, modelos de financiamento e articulação institucional. Segundo Nuno Batalha, trata-se de um processo já estruturado nas suas linhas essenciais, mas cuja execução será feita por etapas, em função das condições técnicas, financeiras e administrativas necessárias. Também o enquadramento urbanístico será determinante, já que a viabilidade da intenção dependerá da forma como o futuro Plano Diretor Municipal, atualmente em processo de revisão, vier a qualificar aquele solo.

