Há lojas que vendem produtos. E há lojas que guardam histórias. A Óptica Ribeiro, na Rua Alexandre Herculano, em Alcobaça, faz, há 81 anos, as duas coisas ao mesmo tempo. Fundada em 1945 por Manuel Domingos Ribeiro Júnior, nasceu primeiro como ourivesaria e relojoaria, mas foi a visão, em todos os sentidos da palavra, que acabou por definir o seu destino.
Este conteúdo é apenas para assinantes
Movido pela vontade de cuidar das pessoas, Manuel integrou a óptica no negócio, e com esse gesto simples plantou uma semente que, décadas depois, continua a dar frutos.
Ao seu lado, esteve sempre Mabília, a esposa. Depois veio o filho, José Manuel Ribeiro, que cresceu entre montras e conversas de balcão, absorvendo, quase sem dar por isso, a paixão que via nos pais. Mais tarde, chegou Fátima, que casou com José e entrou também no projeto – não apenas como familiar, mas como parte integrante de uma missão partilhada. José Ribeiro tornou-se um dos primeiros optometristas em Portugal, integrando o primeiro curso de Optometria lecionado pela União Profissional dos Ópticos e Optometristas Portugueses, um marco na história da profissão e do País.
Entretanto, chegou também Ana. A filha, que viu o trabalho dos pais, sentindo orgulho no legado, e que decidiu que queria também fazer parte dele.
Ao REGIÃO DE CISTER, Ana Ribeiro, que hoje recebe quem chega, confessa que começaram por atender jovens que hoje são avós. “Atualmente, temos o privilégio de acompanhar os seus filhos, netos e até bisnetos. Conhecemos as pessoas pelo nome, sabemos as suas histórias, partilhamos momentos”, conta, com a certeza de que sabe que o que fazem vai muito para além de receitar óculos. A proximidade, rara – quase anacrónica nos tempos que correm –, é talvez o maior património da Óptica Ribeiro.
Mais do que os equipamentos modernos ou da atualização constante de técnicas e tendências, é a relação humana que faz voltar quem sai. “Muitos experimentam outras opções, mas regressam porque sabem que aqui encontram consistência e rigor”, afirma a empresária.
Mais de oito décadas não se carregam apenas com leveza. Implicam responsabilidade, sim, mas também uma espécie de gratidão silenciosa. A de perceber que o que os antepassados construíram, ainda faz sentido. E que, enquanto houver alguém a entrar na Óptica Ribeiro pela primeira vez – ou pela centésima –, a história não termina. Está apenas a prolongar um capítulo que se faz carregado de [muito] amor.


