Que o problema do lixo acumulado indevidamente junto aos contentores não é novidade, todos sabem. Mas, nos últimos tempos, o flagelo tem vindo a agravar-se. Foram várias as juntas do concelho de Alcobaça a denunciar a situação, que se afigura comum a diversas localidades.
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Em Aljubarrota, vê-se lixo fora dos contentores e uma infinidade de sacos espalhados. Quem o denuncia é a própria presidente da Junta, Élia Pimenta, que defende que a situação acarreta vários constrangimentos à freguesia.
A autarca reconhece que o problema prejudica a imagem local mas, mais do que o mau aspeto, gerar maus odores e favorecer a propagação de pragas, a situação acarreta prejuízos mais profundos. A edil resume em três grandes áreas.
Ao nível ambiental, destaca a poluição do solo e da água – o lixo exposto por longos períodos pode libertar substâncias tóxicas que contaminam o solo e, eventualmente, os lençóis freáticos –, a atração de pragas como ratos e insetos, que aumentam o risco de transmissão de doenças, e os danos à biodiversidade, já que os animais podem interagir com os resíduos ou ficar presos neles, prejudicando o ecossistema local.
Em termos estéticos, aponta a degradação da paisagem [já que a presença de lixo espalhado transmite uma imagem de abandono e descuido] e o impacto negativo no turismo, tornando a localidade menos atrativa para visitantes.
Por fim, ao nível da saúde pública, sublinha os maus odores, que afetam o bem-estar da população, e o risco de doenças provocado pela proximidade com os resíduos, que facilita a propagação de bactérias e vírus.
A presidente da junta considera urgente que “o município exija aos seus fornecedores um serviço de recolha mais eficiente e regular, assegurando que os contentores não vão permanecer cheios por longos períodos de tempo”. Por sua vez, e também contactado pelo REGIÃO DE CISTER, o vereador com o pelouro do ambiente, Paulo Mateus garante que o Município tem conhecimento das ocorrências que lhe são comunicadas pelas juntas e pelos próprios munícipes”, assumindo que as situações se registam de forma transversal em várias freguesias do concelho.
O problema, de resto, não é exclusivo à freguesia de Aljubarrota, tendo sido tornado público por várias juntas: a Junta do Bárrio e de Évora de Alcobaça e, ainda, a União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes e a da Benedita.
Ainda que os autarcas considerem que o serviço de recolha possa ser mais célere, todos estão de acordo quanto à necessidade de maior civismo por parte dos cidadãos.
O vice-presidente da Câmara assegura que “a maioria das situações resulta da utilização inadequada dos pontos de deposição de resíduos”, garantindo que “sempre que o município é alertado, procede à intervenção e limpeza do local”. Deste modo, o apelo é para que os cidadãos utilizem os contentores e ecopontos de forma responsável, depositando apenas os resíduos adequados a cada tipologia – indiferenciados, plástico, papel/cartão e vidro. Para recolhas especiais, estão disponíveis os seguintes contactos: monos (262 597 706) e resíduos verdes (800 206 624).
Nos concelhos vizinhos da Nazaré e Porto de Mós, e também contactadas pelo REGIÃO DE CISTER, as autarquias referem que é um problema que acontece de forma pontual. Na Nazaré, o mesmo agravou-se após a depressão Kristin, “obrigando a um reforço das operações de limpeza urbana”.


