“A ansiedade chegou ao fim hoje”. A frase é de Mara Brites, da Moita, Marinha Grande, e resume mais do que a reabertura de um equipamento. No regresso das Piscinas Municipais em Pataias, quatro meses depois da tempestade Kristin ter destruído substancialmente as instalações, o regresso à água foi também o regresso à rotina, à terapia, ao equilíbrio e à alegria de muitas famílias.
Este conteúdo é apenas para assinantes
Mara fala do filho, uma criança com necessidades especiais, que frequenta a natação em Pataias. “Para ele, a natação é reguladora, é felicidade, alegria”, descreve. Durante o encerramento, às terças-feiras, faltava-lhe aquele momento. A mãe ia explicando: “Estão a arranjar as piscinas, havemos de voltar”. E voltaram. Mais cedo do que o habitual, até, porque o menino, que faz seis anos em julho, passou o dia a antecipar a hora.
Foi mesmo com muita alegria que recebi esta notícia da reabertura, sobretudo pelo mais pequenino”, acrescenta Mara Brites. A piscina é, para ele, um dos dois grandes momentos da semana, a par da música ao sábado. Tem outras terapias, mas estas são “as de eleição”. Também os irmãos, de 13 e 18 anos, sentiram a falta daquele espaço. O mais velho, que estuda em Coimbra, regressou logo no primeiro dia para fazer treino livre. “Sentia imensa falta. É um espairecer ao final do dia”.
A tempestade Kristin obrigou ao encerramento das Piscinas Municipais em Pataias a 28 de janeiro. A 25 de maio, a União de Freguesias de Pataias e Martingança e a Câmara de Alcobaça conseguiram reabrir o equipamento, recuperado em cerca de quatro meses. Um prazo curto, quase recorde, tendo em conta a dimensão dos estragos, o muito que ainda há por fazer na região e as listas de espera junto dos empreiteiros.
“Está tudo a funcionar normalmente nas Piscinas Municipais em Pataias”, assegura o coordenador, Pedro Gonçalves. E a normalidade, aqui, mede-se nos sons das aulas, nos passos apressados das crianças, nas conversas de quem volta a encontrar-se e no alívio de quem voltou a cumprir uma rotina que faz falta.
Celeste Freire, de Pataias, regressou à hidroterapia. Já frequentava as piscinas há dois anos, depois de uma primeira passagem anterior, e sentiu a interrupção no corpo. “Notei na saúde, os ossos mais endurecidos”, afirma. Durante estes meses não substituiu a piscina por outro exercício. “Acaba por ser um hábito vir à piscina. Se pensar em ir caminhar, acabo por não ir. Aqui tenho um horário a cumprir”, constata Celeste Freire.
Também Isabel Veiga, da Marinha Grande, voltou com o filho, um menino com autismo. “Este tempo todo sem as Piscinas de Pataias foi um bocadinho chato”, admite. A falta foi física, mas também de falha na aprendizagem. “Sem esta continuidade, depois ele vai regredir”, teme a mãe. No dia do regresso, a expectativa era grande. “Hoje já estava ansioso, até porque ia ter com um amigo. Entrou todo contente”, descreve Isabel Veiga.
Entre os utentes ouvidos, duas em três famílias vinham do concelho vizinho da Marinha Grande. Não é caso isolado. Cerca de metade dos utilizadores das Piscinas Municipais em Pataias é de fora do concelho, sinal da importância regional deste equipamento inaugurado em 2008 e considerado uma das obras de referência da União de Freguesias.
Com tanques novamente em funcionamento, atividades retomadas e utentes de volta, as Piscinas Municipais em Pataias recuperaram mais do que portas abertas. Recuperaram o lugar que ocupam na vida de quem ali encontra saúde, disciplina, convívio e bem-estar. Para algumas famílias, a reabertura significou simplesmente que a ansiedade chegou ao fim.


