Menos de seis meses depois de ter sido devastado pela tempestade Kristin, o Bar de Água de Madeiros está reconstruído, voltou a receber clientes e prepara uma nova fase. O proprietário, Leocádio Ascenso, quer transformar o espaço num negócio capaz de funcionar para lá do verão, com cozinha, restauração diferenciada e condições para abrir também no inverno.
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A reconstrução representou, nesta primeira fase, um investimento de cerca de 30 mil euros, que se juntam aos mais de 40 mil euros aplicados na aquisição, melhorias e recheio do estabelecimento. Leocádio Ascenso tinha comprado o bar no ano passado por 32 mil euros. Pouco tempo depois, viu grande parte do investimento desaparecer com a tempestade.
Agora, o objetivo não é apenas recuperar o que existia, mas criar um espaço mais funcional e resistente. A área não deverá aumentar, mas a organização será diferente. A atual zona do bar dará lugar a uma cozinha e o restante espaço será adaptado. Durante agosto e setembro, o estabelecimento continuará a funcionar com a configuração atual, mas ainda este ano deverá avançar a nova disposição, pensada para os meses mais frios.
O sonho passa por transformar o Bar de Água de Madeiros num restaurante com funcionamento anual, sobretudo aos fins de semana durante o inverno. “Queremos dar outra dinâmica ao espaço e trabalhar não só no verão. Muita gente perguntava se tínhamos refeições. Havia tostas e bifanas, mas não é isso que queremos para o futuro”.
A ideia é criar uma oferta diferente da que existe na região, ligada aos sabores tradicionais e a formas antigas de cozinhar. “Gosto muito de trabalhar com panelas de ferro antigas. Gostava de ter o braseiro a trabalhar, assar uma boa posta de bacalhau ou uma posta mirandesa e recuperar receitas como as misturadas à moda de Pataias”.
A reconstrução foi também pensada para aumentar a resistência do edifício, através de materiais mais sólidos e novas soluções estruturais. “Os seguros fogem de nós. Temos de procurar fazer as coisas mais resistentes, tanto nos materiais como na estrutura.”
Algumas peças de madeira do antigo bar foram recuperadas. Leocádio Ascenso passou quatro dias entre os destroços, com uma marreta, à procura de elementos que ainda pudessem ser aproveitados. A madeira africana foi limpa, tratada e voltou a integrar o espaço.
“Foi difícil. Passei muitos dias sozinho, a recuperar e a tentar guardar qualquer coisa. Andei quatro dias com uma marreta à procura destas peças.” Os primeiros dias foram marcados pelo choque e pelo trabalho entre os destroços. “De vez em quando, encontrávamos coisas que nos faziam parar.”
Com cerca de 15 ou 16 anos de história, o bar tornou-se um ponto de encontro numa localidade pequena. A reabertura foi recebida com emoção. “Hoje chegou aqui um homem a chorar. As pessoas gostam do espaço e percebem a falta que faz. Têm-nos dado os parabéns por termos tido coragem de fazer tudo de novo”, descreve.
A resposta da comunidade tem sido um incentivo. “A comunidade é muito pequena, mas as pessoas vêm aqui com gosto, ajudam e querem que isto resulte. Nós também queremos dinamizar Água de Madeiros”.
Leocádio Ascenso destaca ainda o acompanhamento da Câmara e da Junta. “Só tenho coisas boas a dizer”, elogia o dono do bar.
Depois da destruição, dos dias passados a “escavar” e do novo investimento, o Bar de Água de Madeiros entra agora numa etapa de crescimento. Como explica o proprietário, a reconstrução só estará completa quando o espaço conseguir abrir portas durante todo o ano. “Venham a Água de Madeiros”, convida o empreendedor.


