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A Assembleia Geral do Centro Cénico e de Bem-Estar Social da Cela (CCC) aprovou a criação de uma sociedade comercial, integralmente detida pela instituição, destinada à exploração de um estabelecimento de comércio de proximidade. A sociedade já se encontra constituída e operacional e o novo supermercado vai funcionar na Cela, no espaço onde atualmente opera o estabelecimento Meu Super. Não se trata da construção de um novo espaço, mas da continuidade da estrutura comercial já existente, agora sob um novo modelo de gestão. A abertura sob nova gerência decorrerá hoje, na Rua do Centro Cénico, na freguesia da Cela.
De acordo com José Lorvão, presidente da Direção da instituição, a iniciativa “pretende diversificar as fontes de receita, reforçar a sustentabilidade financeira do Centro Cénico e manter um serviço de proximidade importante para a população”. A sociedade é integralmente detida pelo Centro Cénico, sendo o seu único sócio, não havendo investidores privados nem outros parceiros no capital. Segundo informações prestadas ao REGIÃO DE CISTER, “qualquer valor económico que venha a ser gerado permanece, direta ou indiretamente, ao serviço da missão do Centro Cénico”.
A criação de uma entidade autónoma visa assegurar “a maior transparência jurídica, contabilística e fiscal possível”, separando a atividade social, que permanece na IPSS, da atividade empresarial, agora a cargo da nova sociedade. Todos os resultados gerados e distribuíveis deverão reverter para o Centro Cénico da Cela, de forma a serem aplicados exclusivamente na sua atividade social.
A possibilidade já constava dos estatutos da instituição, que permitem ao CCC criar ou participar noutras entidades jurídicas, desde que os respetivos proveitos revertam para a prossecução dos seus fins sociais. O processo está a ser acompanhado nos planos jurídico, contabilístico e fiscal.
Quanto ao conceito comercial, a instituição pretende manter um supermercado de proximidade, com “uma loja bem organizada, competitiva e com uma oferta adequada às necessidades reais da comunidade”. Numa primeira fase, estão previstos dois postos de trabalho diretos afetos ao funcionamento do supermercado.
Sobre o destino de eventuais resultados positivos da sociedade, o dirigente explica que “nesta fase, a instituição não pretende associá-los a um único projeto específico”. O presidente recorda que o Centro Cénico da Cela é hoje “uma instituição com mais de 300 utentes diários, cerca de 90 trabalhadores e respostas sociais em diferentes áreas e ciclos de vida”, o que implica “necessidades permanentes de investimento em instalações, equipamentos, qualidade dos serviços e desenvolvimento de novas respostas”. Nesse sentido, um dos objetivos da iniciativa é precisamente “reduzir a dependência exclusiva das formas tradicionais de financiamento do setor social”.
José Lorvão sublinha ainda que não existe qualquer objetivo de criar lucro para benefício privado: “O Centro Cénico da Cela é o proprietário da sociedade e, por isso, o benefício económico que esta atividade possa gerar ficará dentro do universo da instituição”. E ficará, assim, traçada a lógica do projeto, tal como a resume José Lorvão: “transformar atividade económica em maior capacidade de intervenção social”.


