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Os idosos da Santa Casa da Misericórdia de Alcobaça, da Associação de Solidariedade Social do Areeiro (ASSA), do Centro Paroquial da Vestiaria e do Solar de Cister foram os protagonistas do espetáculo de teatro “Adeus, até ao meu regresso”, apresentado na passada segunda e terça-feira, no Cineteatro de Alcobaça. Organizado pelo Grupo de Teatro Juntos em Palco, o espetáculo abordou a guerra do Ultramar, sendo que alguns dos intérpretes tinham uma ligação direta a esse tempo.
Ao longo da apresentação, leram-se cartas e “choraram-se” partidas. Marchou-se em Angola e ouviu-se Amália. “Abraçou-se” o hino. No palco, os seniores deram o seu melhor. Na plateia, repleta de utentes das várias instituições, observavam-se olhares atentos, os de quem também viveu, de algum modo, o período da guerra colonial.
Ao REGIÃO DE CISTER, Filipa Luís, da ASSA, explicou que a preparação começou em abril, inspirada nas histórias dos próprios utentes, e exigiu um encontro por semana.
A responsável destaca os benefícios da experiência para os participantes, não só a nível “físico”, mas também da “memória” e da “autoconfiança”. Deu como exemplo uma senhora que, no espetáculo anterior, sobre o Mercado de Alcobaça, não acreditava ser capaz de atuar. No final, sentia-se segura e admitiu ter gostado muito da experiência.
Diana Bernardes, professora orientadora do grupo, sublinhou o esforço dos idosos, mas também das técnicas presentes em palco, e lembrou que fazer teatro com pessoas idosas é um desafio, dadas as dificuldades de mobilidade. “Todo o espetáculo tem de ser pensado primeiro e adaptado tendo em conta as condições de cada idoso. É sempre uma adaptação constante. E estou muito orgulhosa deles todos, é um orgulho ver até onde chegaram”, notou.
De uma forma ou de outra, todos viveram a época, mas para Maria Parrilha e José Silva tem um significado especial, acentuado pela “dor da saudade”. José Silva foi um dos homens que estiveram na guerra e sentiu em primeira mão o que é estar longe. Maria Parrilha, por sua vez, estava grávida quando o marido combatia a milhares de quilómetros de distância.
No final, José Amaro, um dos seniores que fez parte do espetáculo, deixou o testemunho: “Acho que é uma boa experiência para os idosos, que fazem um esforço para acompanhar aquilo que lhes é pedido. É bom para todos, mas principalmente para os idosos, para que mantenham o cérebro ativo”, destacou.
A marca do projeto, essa, fica não só no desenvolvimento de competências dos seniores, como na troca de experiências entre os que estão em palco e os que estão na plateia, lembrando os que viveram a guerra colonial e os que, de alguma forma, em terras portuguesas, ansiavam por notícias dos seus no pequeno ecrã.













