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O Armazém das Artes foi, no passado sábado, palco da apresentação do livro “A História do Rock Português”, da autoria da alcobacense Rita Nabais. Escrita ao longo dos últimos três anos, a obra, que conta com um prefácio escrito pelo músico Adolfo Luxúria Canibal, percorre um universo de 164 músicos e bandas portuguesas, desde os anos 60 até à atualidade, passando por nomes como UHF, Rui Veloso, The Gift, Silence 4 e Xutos & Pontapés. O livro surge na sequência do anterior, “A História do Rock para Filhos e Pais com Punkada” (2017), e motivado pela quantidade de perguntas recebidas sobre se incluiria artistas portugueses.
Durante a apresentação, que contou com casa cheia, Rita Nabais teve ao seu lado Tiago Albuquerque, autor das ilustrações, Nuno Valente, editor das Edições Escafandro, e Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell. Nuno Valente, em representação da editora alcobacense, começou por apresentar o percurso de Rita Nabais, nascida em 1975, licenciada em Ensino de Português e Inglês e com mestrado em Estudos Ingleses e Americanos.
A ligação à música é quase intrínseca. Para que os nossos leitores a conheçam melhor, o REGIÃO DE CISTER recorda a passagem escrita sobre a autora: “Viu os Nirvana ao vivo, mas não se lembra bem. Tirou fotos com o Mark Sandman, mas a câmara não tinha rolo. (…) Tem como missão provar que não existem pés de chumbo, apenas pessoas que ainda não ouviram a sequência perfeita de canções”.
Num momento bastante participado pelos presentes, a autora admitiu que escrever o livro não foi fácil. Como maior desafio, aponta a falta de informação sobre algumas das primeiras bandas, destacando o trabalho de jornalistas como fonte essencial de pesquisa. “As entrevistas foram, muitas vezes, a única fonte de informação sobre algumas bandas. Um agradecimento especial aos bloggers mais antigos, guardiões de um conhecimento único de quem viveu de perto uma realidade já distante”, afirmou.
Mas, apesar de difícil, essa foi, também, a parte mais interessante. A alcobacense afasta a ideia de que o rock surgiu apenas na década de 80, reiterando que este se começou a afirmar muito antes. Admite ter sido emocionante conhecer de perto o trabalho de bandas que faziam música numa época cinzenta, em que a ditadura não deixava as pessoas ser apenas quem eram. Talvez o rock tenha sido uma “bizarra locomotiva” que levava as pessoas a quebrar estereótipos com as cordas de uma guitarra e com a voz, ainda que num país onde essa fosse abafada. A autora dá o exemplo de Zurita de Oliveira (1931-2015), a primeira artista referida no livro, multifacetada e verdadeira pioneira do rock em Portugal, que rompeu barreiras num panorama musical profundamente masculino e conservador. Com o lançamento do tema “O Bonitão do Rock”, em 1960, a cantora, compositora e guitarrista de Alcanena inscreveu o seu nome na história como a “mãe” do rock português, embora o seu talento se tenha estendido também, com grande versatilidade, ao fado, ao teatro de revista e à poesia.
Para Nuno Valente, o livro “contém e demonstra uma importante lição sobre história de arte: nada nasce do vazio, cada artista relevante contém e reflete os seus gostos e experiência na sua obra, e projeta as suas influências na forma de fazer música de artistas futuros, numa cadeia ininterrupta que nos trouxe desde a arte das cavernas até aqui”.
Fernando Ribeiro afirmou que a obra mostra que, para Rita Nabais, o rock é mais do que apenas um gosto. “É uma missão”. O cantor, reconhecido internacionalmente, acrescenta ainda que “A História do Rock Português”é “passado, presente e também futuro”. E é graças a uma alcobacense que fica, pela primeira vez, escrita, e eternizada. Para sempre.






