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Ser doente oncológico é lutar contra o próprio corpo e também lutar contra a própria mente, que, por vezes, teima em ser traiçoeira. Foi a pensar nisto que a Junta da Benedita criou um programa de apoio para pessoas que têm, ou já tiveram, cancro. Com oito sessões agendadas para a primeira edição, a realizar quinzenalmente e já a partir de 15 de outubro, na Casa da Vila, a iniciativa pretende trabalhar, com profissionais de saúde, questões como a gestão das emoções, a ansiedade, a autoestima, o autocuidado e as estratégias para lidar com as dificuldades que podem surgir.
Ao REGIÃO DE CISTER, a técnica da Junta, Mariana Justo, explica que o objetivo é “contribuir para o bem-estar emocional, reduzir o isolamento e ajudar cada participante a encontrar estratégias que lhe permitam lidar melhor com esta fase da vida”. A missão estará cumprida, acrescenta, se as pessoas se sentirem acompanhadas: “Esperamos, sobretudo, que encontrem um espaço onde possam falar sem receios, partilhar aquilo que estão a sentir e ouvir outras pessoas que passaram ou estão a passar por situações semelhantes”, complementa.
Por reunir pessoas que já ultrapassaram a doença, a iniciativa permite que a partilha de experiências sirva de ponto de esperança.
A equipa é composta por uma psicóloga, uma enfermeira e um psicomotricista, todos em regime voluntário. O programa dirige-se essencialmente a pessoas da comunidade da Benedita e as inscrições decorrem no balcão da Junta. “Mais do que ter um grupo grande, queremos que seja um grupo onde seja possível criar confiança e onde as pessoas se sintam verdadeiramente acompanhadas”, sublinha Mariana Justo.
Numa primeira fase, o programa destina-se apenas aos doentes, mas a Junta admite avaliar a necessidade de criar uma resposta específica para familiares ou cuidadores, que muitas vezes partilham o sofrimento.
Lidar com uma doença nunca é fácil. Mas lidar com uma doença que chega sem avisar, e que muitas vezes se prolifera em silêncio, custa ainda mais. É o caso do cancro. Ter uma doença oncológica acarreta inúmeros desafios: não só físicos, mas também emocionais e psicológicos. E a referida rede de apoio servirá para mostrar que a dor também faz parte do processo e que há maneiras de lidar com a mesma. A partir de 15 de outubro, irá ajudar os doentes a lidar com os sentimentos menos bons, acolhendo-os e validando-os.


