Terça-feira, Outubro 6, 2026
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Talho Novo Nazarense aposta na qualidade há três décadas

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Falar sobre o talho Novo Nazarense, localizado na Sub-vila, na Nazaré, é contar uma história peculiar. João Manuel é natural da terra da alheira mais cobiçada de Portugal, de Mirandela, mas decidiu abrir o seu negócio como talhante na vila piscatória. Se dúvidas houvesse da aposta do mirandelense, a verdade é que há três décadas “serve” carne fresca aos nazarenos.

Falar sobre o talho Novo Nazarense, localizado na Sub-vila, na Nazaré, é contar uma história peculiar. João Manuel é natural da terra da alheira mais cobiçada de Portugal, de Mirandela, mas decidiu abrir o seu negócio como talhante na vila piscatória. Se dúvidas houvesse da aposta do mirandelense, a verdade é que há três décadas “serve” carne fresca aos nazarenos.

O cunhado tinha comprado o talho na Nazaré na década de 1980 e João Manuel acabaria por ir trabalhar com o familiar, até que em 1990 adquiriu o espaço e assumiu a gerência do talho em sociedade com a mulher, Maria Faustino. “Foi uma oportunidade de vir para o litoral”, conta ao REGIÃO DE CISTER o retornado de guerra que, até então, não tinha qualquer ligação à Nazaré.

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Naquele tempo, os talhos eram uma “mina”. “Chegávamos a fazer mais de mil euros em dias muitos bons e a atender mais de 100 pessoas”, recorda o gerente, de 59 anos, lamentando que nestes dias o negócio já não seja especialmente lucrativo. “Quem tem poder de compra vem ao talho porque a carne tem mais qualidade. Mas a qualidade paga-se”, atira João Manuel que “perdeu” muitos clientes com a abertura das grandes superfícies comerciais. “Os preços são mais acessíveis”, reconhece.

Mas se perdeu clientela para os grandes estabelecimentos, não menos verdade é que há clientes que se mantiveram fiéis ao talho. “Há pessoas que só compram carne aqui e que me acompanham desde o início”, afirma o comerciante que aposta no atendimento personalizado. “Frequentemente já sei qual a carne que a pessoa quer, mais fina ou mais grossa, com mais ou menos gordura”, descreve João Manuel.

Para o empresário, que trabalha apenas com a mulher, não há férias e no Natal não há mãos a medir. “É muito raro chegar a casa na noite de Natal antes das 22 ou 23 horas”, refere, apontando que é “uma das melhores épocas do ano” para vender carne e tem de se aproveitar.

Apesar disso, apenas por uma vez teve de recorrer a um empregado. “Sempre demos conta do recado sozinhos, mesmo nos dias com mais afluência”, explica João Manuel, enquanto prepara os bifes para uma cliente habitual e vai observando a fila de espera à porta devido às novas regras de saúde pública.

“Apesar de já não serem tempos áureos, vamos conseguindo manter o negócio”, garante o talhante, contando um pequeno segredo. É que na casa que fica na Sub-vila ainda se vende… fiado. “Só acontece com os clientes mais antigos, mas ao fim do mês ninguém deve nada”, sublinha.

Na vila da Nazaré onde o peixe é “rei”, o mirandelense não se “intimida” e prova que quando a carne é de qualidade, até um bom apreciador de peixe se deslumbra por um bife da vazia.

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