Sexta-feira, Novembro 6, 2026
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Tasca Abegão serve copinho de vinho a valadenses há 78 anos

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Ainda é possível fazer uma viagem no tempo em Valado dos Frades ao entrar na Tasca Abegão, localizado no cruzamento entre a Rua Couto Ferreira e a Rua do Poço. O estabelecimento ainda serve a bica, o copinho de vinho ou o “cheirinho” como sempre o fez desde que começou como tasca e mercearia há 78 anos.

Ainda é possível fazer uma viagem no tempo em Valado dos Frades ao entrar na Tasca Abegão, localizado no cruzamento entre a Rua Couto Ferreira e a Rua do Poço. O estabelecimento ainda serve a bica, o copinho de vinho ou o “cheirinho” como sempre o fez desde que começou como tasca e mercearia há 78 anos.

O espaço é gerido por António Abegão, valadense de gema que nasceu há 83 anos e que há pouco mais de 20 anos assumiu os destinos da taberna fundada pela família.

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“Durante mais de 40 anos trabalhei como motorista de autocarros de turismo, mas estava cansado e decidi dar continuidade ao negócio criado pelo meu pai”, conta o herdeiro do negócio, enquanto observa quem passa na rua, sentado num banco a partir da sua garagem.

Para tristeza de António Abegão, as portas da tasca, que fica em frente à sua casa, estão fechadas devido à pandemia. “Não me justifica abrir a taberna por meia dúzia de cafés”, lamenta o proprietário, recordando os tempos áureos em que tinha a casa cheia.

No estabelecimento, que sinaliza também o início da Rua do Poço, os primeiros cafés do dia eram servidos pelas 10 horas da manhã e os últimos…sabia-se lá. “Temos de saber tratar os clientes com carinho para que voltem no dia a seguir”, graceja António Abegão, que todos os dias, pela matina, vai comprar os produtos para abastecer a taberna.

Com lotação para dez lugares sentados, eram raros os dias, antes da pandemia, que não tivessem mais pessoas dentro da taberna ou à porta. “Há muitos clientes que ainda vêm aqui, alguns da minha geração, e outros que os pais lhes ensinaram o caminho”, brinca o gerente, que se distrai nas histórias de uma vida de trabalho.

Aos 83 anos, o gerente conta com o apoio da filha, Ana Paula Abegão, que “segura as pontas” quando tem de se ausentar para ir para o campo, mas garante ter ainda força para continuar a manter vivo a Tasca Abegão. “É preciso desenvolvimento, não podemos parar”, afirma o octogenário. “Sempre foi um homem muito trabalhador”, atirou a filha enquanto o ouvia com atenção. 

Durante as quase oito décadas que fazem deste estabelecimento uma verdadeira casa com história, a única remodelação foi feita quando António Abegão optou por encerrar o negócio de mercearia e passou apenas a servir cafés, uns copinhos de vinho e às vezes uns petiscos.

“Com o aparecimento dos grandes supermercados, não valia a pena ter uma mercearia para vender apenas um quilo de açúcar”, justificou, enquanto cumprimentava dois conhecidos que passavam à porta do café. “Estou a ser entrevistado para o jornal”, atirou, entre risos, enquanto acenava.

Para o futuro, António Abegão conta com o apoio dos filhos para continuar o legado de família.

Questionado se gostaria que a casa chegasse aos 100 anos, a resposta não podia ser mais clara: “aos 100, 200 ou mais”, respondeu, confiante de que um dos dois filhos vai continuar a escrever a história da taberna.

Até lá, fica aqui o registo de uma história que congelou no tempo e que preserva religiosamente as tradições e os hábitos de outros tempos da vila.

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