Um incêndio que deflagrou, no passado sábado, na zona da Boubã, na União de Freguesias de Pataias e Martingança, consumiu cerca de 15 hectares de área florestal e obrigou à mobilização de mais de uma centena de operacionais, apoiados por quatro meios aéreos.
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O alerta foi dado às 16:16 horas e o incêndio entrou em resolução pelas 19:36 horas. No terreno estiveram 107 operacionais, apoiados por 28 veículos e quatro meios aéreos — um avião e três helicópteros. A operação envolveu 12 corporações de bombeiros, além da GNR e da Autoestradas do Atlântico.
As chamas lavraram numa zona próxima do limite entre a União de Freguesias de Pataias e Martingança e a União de Freguesias de Coz, Alpedriz e Montes. O fogo acabou por passar para o outro lado da A8, levando ao condicionamento do trânsito naquela via e aumentando a complexidade da resposta operacional.
Ao REGIÃO DE CISTER, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pataias, Leandro Bernardino, apontou o vento forte, as projeções e os acessos florestais obstruídos como os principais desafios encontrados no terreno. “O incêndio ficou dividido em dois em consequência da autoestrada. Pedi duas vezes para a autoestrada ser fechada nos dois sentidos, o que não ocorreu. Podia ter corrido mal”, afirmou o operacional.
A progressão das chamas, favorecida pelo vento, obrigou à atuação em diferentes setores e a uma rápida reorganização dos meios. As projeções dificultaram a contenção do incêndio, numa zona onde os caminhos florestais condicionados ou obstruídos complicaram a chegada dos operacionais a alguns pontos da ocorrência.
Apesar das dificuldades, Leandro Bernardino destaca o desempenho do dispositivo. “Houve um excelente empenhamento de todos os operacionais no terreno e dos meios aéreos, que deram uma ajuda fundamental para a supressão do incêndio”, sublinhou o comandante dos Bombeiros Voluntários de Pataias.
Na origem do fogo terão estado trabalhos de corte de árvores, nomeadamente devido a faíscas provocadas por equipamento utilizado nessas operações. A informação foi, de resto, confirmada pelo Posto Territorial de Caldas da Rainha da GNR. “O incêndio terá tido como origem numa máquina agrícola que, devido à sua temperatura alta em contacto com os matos secos, terá provocado a ignição destes”, explicou o comandante, João Marques.
O incêndio ocorreu num contexto de preocupação acrescida com a acumulação de material lenhoso em zonas florestais, depois dos danos provocados pela tempestade Kristin. O Governo aprovou um regime excecional e temporário para os concelhos afetados pela tempestade e anunciou também uma linha de crédito dirigida a empresas do setor florestal, precisamente para assegurar a continuidade da remoção de material lenhoso nas zonas impactadas.
A existência de árvores caídas, sobrantes florestais e acessos condicionados aumenta o risco e dificulta a intervenção dos meios de socorro, sobretudo em dias de vento. No caso da Boubã, a obstrução de caminhos florestais foi uma das dificuldades apontadas no combate, num cenário agravado pela propagação rápida das chamas e pela passagem do incêndio para o outro lado da autoestrada.
A ocorrência deixa, por isso, um novo alerta sobre a necessidade de manter acessíveis os caminhos florestais e de acelerar a remoção de material combustível nas zonas mais vulneráveis. À entrada do período de maior risco de incêndio rural, a limpeza dos terrenos, a gestão de combustível e a prudência nos trabalhos florestais assumem particular importância.
Depois de dominado o incêndio, os operacionais permaneceram no local em ações de rescaldo e vigilância, de forma a evitar reacendimentos.


