O Canhão da Nazaré volta a estar no centro da investigação oceanográfica nacional. O Instituto Hidrográfico abriu concurso para contratar um investigador doutorado em Ciências Geofísicas, no âmbito de um projeto que pretende reforçar a observação do oceano costeiro português e aprofundar o conhecimento sobre zonas de especial interesse científico, entre as quais se destaca a Nazaré.
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O aviso publicado em Diário da República aponta a Nazaré como uma das áreas de estudo prioritárias, a par da região Lisboa-Setúbal, com particular atenção aos processos oceanográficos e dinâmicos associados à presença de canhões submarinos. No caso nazareno, essa referência ganha especial relevância pela existência do Observatório do Canhão da Nazaré, conhecido como MONICAN, integrado na infraestrutura nacional MONIZEE.
O objetivo passa por reforçar a utilização de radares costeiros de alta frequência e consolidar a rede de observação do oceano operada pelo Instituto Hidrográfico. São sistemas que permitem recolher dados em tempo real sobre a dinâmica marítima, contribuindo para uma melhor compreensão das correntes, da agitação marítima e de outros fenómenos costeiros.
Além da componente científica, o projeto tem também uma dimensão operacional. A informação recolhida poderá apoiar operações de busca e salvamento, a monitorização de eventuais derrames de hidrocarbonetos e a gestão adaptativa de áreas marinhas protegidas. O desenvolvimento de novos produtos e serviços a partir destes dados é uma das metas previstas.
A Nazaré, conhecida mundialmente pelas ondas gigantes, tem no seu canhão submarino um dos principais fenómenos naturais associados à identidade marítima do concelho. A nova aposta do Instituto Hidrográfico reforça a importância científica deste território e abre caminho a futuros projetos de expansão do observatório dedicado ao Canhão da Nazaré.
A infraestrutura MONIZEE integra estações maregráficas, boias ondógrafo, radares costeiros e boias multiparamétricas, distribuídas pelo território continental e insular. A sua ligação a redes internacionais de monitorização do oceano permite que a investigação desenvolvida em Portugal contribua também para o conhecimento global sobre os sistemas costeiros.


