Há coisas sobre as quais nos detemos em busca de uma explicação, mas que teimam não ter uma definição certa. E a arte é uma delas. Não obedece a regras fixas nem a interpretações únicas. Significa coisas diferentes para pessoas diferentes, e muda ao longo da vida. Manifesta-se na luz que entra pela janela, num corpo que dança, numa voz que quebra no sítio certo ou numa tela que parece respirar. Está nos gestos pequenos, nos silêncios longos e, muitas vezes, onde menos se espera encontrá-la. No fundo, a arte existe desde que o ser humano sentiu, pela primeira vez, a necessidade de dizer o que as palavras comuns não conseguiam.
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A arte nasce de pessoas, de escolhas difíceis, de formações exigentes e de uma coragem que o mundo raramente reconhece de imediato. Os artistas não escolhem a arte como quem escolhe uma profissão. Instala-se neles ainda miúdos, na forma como olham o mundo, e permanece ali, paciente. Inevitável. O REGIÃO DE CISTER acompanhou a história de quatro artistas da região. Quatro histórias e linguagens distintas, mas com uma certeza comum: sem arte, não seriam quem são. E a comunidade, sem eles, seria um pouco menos.
António dos Santos, de 63 anos, nasceu nos Pisões, em Pataias. Cresceu no Oeste do país e desde cedo mostrou apetência pelas artes performativas. Hoje, é conhecido internacionalmente como o Static Man – Homem Estátua. E a história por detrás tem uma origem tão simples quanto… genial. Foi nas Ramblas de Barcelona que tudo nasceu: viu atores a fazer de robôs e pensou, quase sem querer: “E se faltassem as pilhas ao robô?”. Nesse momento, nasceu uma ideia, uma arte inteiramente nova.
Em 1987, tornou-se o primeiro artista do mundo a apresentar a arte da estátua humana na rua. Uma inovação que viria a inspirar uma geração de artistas de rua em todo o planeta. Mas a transformação não foi imediata, nem linear. Antes de se tornar o primeiro homem-estátua do mundo, António Santos era estudante de Geologia em Coimbra, até que uma depressão que evoluiu para uma neurodermite o obrigou a parar e a repensar tudo. “Essa transformação surgiu devido à minha ligação à prática de yoga e meditação sentada”, explica.
Há quase quatro décadas que pinta o rosto e o corpo de modo a parecer que é feito de pedra, de bronze, de ferro. O objetivo é criar a ilusão de que não é humano. Para isso, tem de ficar imóvel durante horas, silencioso, fazendo ouvidos ‘moucos’ aos comentários que vão fazendo ou às tentativas de lhe arrancar uma palavra ou um movimento. Para continuar a inovar, juntou à quietude “a levitação”: uma técnica de suspensão que deixou o público a perguntar, repetidamente, “como é que ele se aguenta no ar?”.
O pisoense não é apenas a primeira estátua-viva do mundo. É também o melhor a fazer a sua arte, uma conclusão que esteve estampada no Guiness durante nove anos. Os seus recordes são impressionantes: três recordes mundiais de imobilidade, um de menor velocidade em marcha, um de suspensão num único ponto de apoio e um de permanência em performance de estátua viva. O mais icónico de todos: vinte horas, onze minutos e trinta e seis segundos imóvel. Ao longo da carreira, viveu momentos marcantes em 74 países, o que o enriqueceu profundamente enquanto pessoa.
Passou pelo Tomorrowland, pelo Boom Festival, e atuou nas ruas de dezenas de países. É fundador, diretor e CEO da Staticman Living Statues Masters, e Diretor Artístico do Festival de Estátuas Vivas Barrocas. Já foi, e continua a ser, diretor de inúmeros outros: “Sintra, Coimbra, Nisa, Tomar, Beja, Lagoa, Albufeira, entre outros”.
Já criou mais de 500 personagens. “Surgem de maneiras diferentes, mas sempre acompanhados por estudos de conceção, construção, logísticos e estáticos”, explica. “Alguns surgem também de encomendas. Sinto-me feliz quando sou reconhecido pelo meu trabalho num todo, não apenas por ter esses recordes”. Um reconhecimento que, curiosamente, ainda não chegou em pleno ao seu próprio país. “Ainda existe diferença, principalmente a nível de cachets pagos e apoios diretos para desenvolver alguns projetos de envergadura”, analisou.
Agora, o fecho do círculo acontece na aldeia onde tudo começou. O Statua Museu Internacional de Estátuas Vivas cresce na antiga escola primária dos Pisões. “Regressar com a minha arte às minhas origens é algo mágico. O museu é um arquivo dinâmico e uma semente para germinarem outros eventos no espaço, abertos à comunidade”. Já foi palco de duas edições do festival “Caminharte”, e António Santos continua a aguardar o prometido apoio para realizar em Alcobaça um Festival Internacional de Estátuas Vivas.
No fundo, por baixo da tinta e da imobilidade, há uma convicção que move António Santos: a de que a arte é a salvação da humanidade. “Tenho a certeza de que a arte nas suas múltiplas formas nos pode salvar enquanto seres plenos. Só ela nos faz refletir sobre o materialismo desenfreado que tanto fere a nossa mãe Terra”, conclui.

Por sua vez, Diana Nicolau, atualmente com 39 anos, apesar de nascida em Lisboa, veio para Alcobaça com quatro anos, a reboque de uma proposta de emprego do pai. E embora a vida a tenha levado de volta à capital, confessa que crescer na terra de paixão foi uma bênção para ser quem é. A vocação para as artes, essa, revelou-se cedo. Com apenas 16 anos, deixou a terra natal e rumou a Lisboa, para ingressar na prestigiada Escola Profissional de Teatro de Cascais. Sob a direção do encenador Carlos Avilez, completou uma formação de três anos e deu os primeiros passos em palco com produções clássicas como “Sonho de uma Noite de Verão”, de Shakespeare, e “Alice”, adaptada da obra de Lewis Carroll.
A certeza, porém, vinha de ainda mais longe. “Desde os 15 anos que sabia que queria estudar teatro. Sempre estive envolvida nos grupos de teatro, rádio e jornal da escola. Comunicar, de qualquer forma, era o que mais gostava de fazer”. Foi no final do 9.º ano que uma psicóloga lhe mostrou um panfleto da escola de Cascais. Não pensou duas vezes. Aos 16 anos, fez as audições, entrou e mudou-se para Lisboa.
Uma decisão tão radical, tomada tão jovem, poderia ter sido recebida com ceticismo. Mas não foi o caso. “Os meus pais foram os meus maiores apoiantes e proporcionaram-me essa possibilidade com alguns sacrifícios. Sou-lhes muito grata. Foi a melhor decisão da minha vida e devo-lhes tudo”, gracejou.
A estreia no pequeno ecrã aconteceu em 2007, na TVI, na telenovela “Ilha dos Amores”. A grande projeção nacional chegaria logo na temporada seguinte, ao ser selecionada para a quinta edição de “Morangos com Açúcar”. A irreverente Sónia Lobo conquistou o público jovem e tornou-se num dos papéis mais marcantes de uma geração. “A Sónia deu-me muito. Tive uma sorte enorme em trabalhar com aquele grupo de atores. Sou amiga de muitos até hoje. Nem em cem cursos ou workshops aprenderia o que aprendi nos dois anos de gravações. Ainda hoje saio à rua e me falam na Sónia”, recordou.
Desde então, construiu um percurso sólido na televisão, integrando elencos de produções como “Deixa que Te Leve”, “Louco Amor”, “I Love It”, “Para Sempre”, “Remédio Santo” e, mais recentemente, “Queridos Papás”, na TVI. No cinema, participou em “O Que Há De Novo No Amor?”, “A Morte de Carlos Gardel”, e na comédia “Curral de Moinas – Os Banqueiros do Povo”. No teatro, regressou várias vezes ao palco e, em outubro de 2023, assinou um dos projetos mais pessoais da sua carreira: o monólogo autoral “Desconfortável”, que marcou a sua estreia na criação e encenação a solo. Paralelamente, mantém uma carreira ativa nas dobragens e na locução publicitária.
Nem sempre a pluralidade do percurso é compreendida. “Não tenho qualquer pretensão de fazer apenas telenovelas, aliás, estive afastada da televisão durante alguns anos. Há quem veja isso como fracasso, porque acha que a carreira de um ator só se concretiza no pequeno ecrã. Não há nada mais errado e redutor”. Quanto aos desafios da profissão, é direta: “Portugal é um mercado muito competitivo e nem sempre justo. É fundamental ser persistente e nunca deixar de evoluir”, sintetizou a alcobacense.
Em 2017, fez uma pausa. Tirou um ano sabático e viajou sozinha para a América do Sul, com uma mochila e um bilhete só de ida. Esteve quase nove meses fora, pela Argentina, Uruguai, Brasil, Colômbia, Cuba, Peru, Equador e Bolívia. Em alguns sítios fez work exchange: trocou trabalho por comida e cama. “Foi a melhor experiência da minha vida. As viagens tornam-nos mais interessados pelo outro e pelo mundo, e um ator é tão melhor profissional quanto mais rico for como ser humano”, conta.
O conselho que deixa aos mais jovens é taxativo: “Estudem”. Para Diana, é a formação que os distingue, sobretudo num tempo em que as redes sociais distorcem valores e criam atalhos ilusórios. “A formação dá técnica, disciplina e uma base muito importante. Quanto ao resto, a rejeição, a instabilidade, a competição, a estrutura emocional para lidar com tudo isso, só se ganha com a experiência de vida”.

Já Joana Silva tem 27 anos e, apesar de nascida em Coimbra, cresceu em Alcobaça. Desde miúda que a música e a dança fazem parte da sua vida. Frequentou o 5.º e o 6.º ano no Ensino Articulado de Música em Alcobaça, e depois do 7.º ao 9.º no Ensino Articulado de Dança. Sempre amou cantar e, embora nunca tivesse ambicionado ser cantora, o mundo das artes fascinou-a desde sempre. Fez o 10.º ano em artes, mas sabia que não queria limitar-se ao teatro ou à dança. Queria poder expressar-se através da arte nas suas mais variadas formas.
Foi aí que encontrou o Chapitô, a escola que mais mundo artístico e liberdade lhe deu. Foi lá que se encontrou enquanto artista. Considera-se também uma pessoa bastante trabalhadora, talvez por isso tenha sido a melhor aluna durante os três anos que frequentou a escola, terminando em 2017 com a maior distinção.
Depois disso, entrou de imediato no mercado de trabalho. Como bailarina, acrobata, atriz, e também no mundo das dobragens. Joana experimentou vários universos. Mas a música, essa, esteve sempre lá. Ainda no Chapitô, fez os seus primeiros improvisos e escreveu as suas primeiras letras. A ligação é intrínseca à sua pessoa: mesmo quando em miúda andava de mota com o pai, ia sempre a cantarolar. São nesses momentos banais que Joana reconhece que a música faz parte dela.
A carreira musical propriamente dita, ainda assim, surgiu quase por acaso. Depois de sair do Chapitô, esteve parada um ano, dado o esforço físico e emocional que a escola exige. Foi então que decidiu juntar algo que a apaixonava ao mundo profissional: “Estava muito cansada, psicologicamente, porque ainda que crucial para o meu desenvolvimento, o Chapitô é muito, muito intenso. Física e emocionalmente. Andei a pesquisar e um amigo disse-me que ia tirar um curso de música na ETIC; percebi que ia abrir a turma de hip-hop e interessava-me aprender a produzir, já que gostava tanto de improvisar em beats”.
Não gostou do curso. Mas também não desistiu do sonho: começou a ir a estúdio e a compor as suas próprias canções: “Em minha casa juntavam-se amigos, o Free Soul Beats estava a começar a produzir, eu escrevia cada vez mais. E simplesmente começou a fazer sentido, porque era ali que eu me sentia mais eu”, conta.
Em 2019, lançou os primeiros singles (“Somozumnãodois” e “És o Amor”), que rapidamente somaram mais de meio milhão de streams e conquistaram espaço nas principais rádios nacionais. Em 2022, o EP de estreia “Jüradamor” encheu o Estúdio Time Out em Lisboa. O single “milagre” colocou-a entre as cinco artistas portuguesas com maior airplay nas rádios, e em setembro de 2023 surpreendeu os fãs com o EP “rés.tu”. Pelo caminho, chegaram ainda uma nomeação para os Prémios Play e uma para o Prémio Revelação na XXVIII Gala dos Globos de Ouro, palcos como o Nos Alive e o Super Bock em Stock, um concerto em nome próprio no Capitólio com casa cheia, e a distinção de artista Mtv Push.
Para a cantora, cada um destes marcos é motivo de orgulho genuíno e, por vezes, de alguma irrealidade: “O caminho não é mesmo nada fácil, mas é um orgulho infinito perceber que consegui chegar a tantos sítios sem deixar a minha verdade e os meus valores de lado”.
Quando questionada sobre qual o trabalho musical que mais gosta, a resposta é clara: não gosta de escolher. Confere a mesma importância a todos os trabalhos, e é fácil de perceber porquê. Cada um deles nasce diretamente daquilo que sentia numa determinada fase da sua vida. É como se a sua escrita funcionasse como uma espécie de biografia em tempo real: “Todos têm a mesma importância por fazerem parte do caminho e, principalmente, da minha história. São todos hiper biográficos. E o processo é muito simples, porque tenho a sorte de estar ligada à palavra e à melodia duma maneira muito crua, despreocupada. Eu aceito o que vem: do estímulo do beat vem a melodia, com a melodia a emoção, e a emoção traduz-se em palavras. É sempre sobre o que estou a sentir”.
Ao REGIÃO DE CISTER confessa que, apesar de Portugal não ser um país onde a cultura nem sempre é tratada como prioridade, é o amor que a mantém em movimento: “Vivemos num país que não vê a cultura como prioridade e temos muito talento. É ingrato. Mas o amor pela arte mantém-me em movimento”. Porque para Jüra, a arte é tudo. Foi ela que lhe deu liberdade. Chega a dizer que não existe sem ela: “Tudo é expressão. A forma como me visto. Canto. Danço. O que penso. O que escrevo. Tudo é poema. Tudo é amor. Tudo é arte”, notou.

Por fim, Tadeu Faustino cresceu em Alcobaça entre os 7 e os 18 anos. Onze anos de relação com uma cidade que, diz, nunca lhe foi indiferente. “O que eu acho bonito, nesta quietude da cidade, é que dentro de um meio relativamente pequeno, as pessoas vão-se mantendo atentas e interessadas no percurso que vais traçando. E essa curiosidade é genuína”, conta ao REGIÃO DE CISTER.
Hoje, a vida pessoal e profissional passam por Lisboa. Foi lá que estudou Teatro, na Escola Superior de Teatro e Cinema (ESTC), e foi lá que acabou por assentar. Mas o caminho até à ESTC começou muito antes, ainda em Alcobaça, entre workshops e o grupo de teatro Leirena. Uma paixão que cedo percebeu não caber dentro das fronteiras da região. “Desde cedo senti uma necessidade de procurar por mais referências noutros espaços culturais, em cidades como Coimbra, Lisboa e Leiria”, afirma. Foi nessa procura que foi contactando com profissionais que lhe mostraram que existem muitos caminhos para chegar ao trabalho do ator e que a formação seria sempre o melhor investimento.
Na ESTC, cruzou-se com mestres de linguagens muito distintas. Personalidades conhecidas no setor. Todos o marcaram. “Todos os contactos são impactantes e transformadores. Mesmo quando integramos um processo com o qual não concordamos, essa frustração é importante para o crescimento. Desenvolves o espírito crítico”. E é precisamente esse espírito que reivindica como essencial, num tempo em que tudo acontece ao ritmo acelerado do scroll das redes sociais. “Considero imprescindível procurarmos áreas e pessoas que ajudem a abrandar esse ritmo, a mostrarem-nos que há outras perspetivas e outras formas de olhar para o mundo”.
O seu percurso enquanto ator vai de Garcia Lorca a Shakespeare, do teatro de câmara a espetáculos ao ar livre, do palco à televisão, onde marcou presença com “Três Mulheres”, na RTP1. Uma diversidade que não o assusta, mas que o estimula. “Cada projeto tem a sua especificidade. Em teatro repetes, ensaias, descobres novas coisas através da repetição; isso traz tempo, espaço, discussão e reflexão. E é exatamente o teatro que o move de forma mais visceral. “Há qualquer coisa de subtil e subjetivo que acontece nesta relação entre o artista e o público ao vivo. Nem sei de que forma se explica esta sensação. Só mesmo vivenciando e sentindo”, conta, acrescentando que o teatro estimula a empatia.
Para além do palco e do ecrã, integra o projeto de teatro-fórum da associação Usina, que percorre escolas de todo o país para discutir bullying, identidade de género e dependências. Um trabalho que o interpela tanto quanto o transforma. “Os jovens são a base da nossa sociedade. Às vezes podem ser subvalorizados, mas a realidade é que as crianças e jovens são o futuro”. E a um jovem de Alcobaça que chegasse até ele hoje com o sonho de ser ator, não o desencorajaria, mas seria honesto: “Diria para estudar, para se formar, para procurar escolas artísticas, projetos multidisciplinares”. E acrescentaria algo mais: “Nunca desistir de questionar tudo, de se manter rebelde, no sentido de nunca deixar que a apatia ocupe espaço. A arte deve trazer movimento, deve ser revolucionária, e quem quer seguir este caminho deve ter essa coragem”, sublinhou.
A arte, para si, é casa. É um alento, é onde sente que se pode resguardar do mundo real, e através da ficção imaginar novas realidades, novas narrativas. E há um momento que resume melhor do que qualquer definição o que o teatro significa para Tadeu Faustino. Foi num espetáculo em Quarteira, “A Freguesia”, onde tinha uma cena curta. Representava um jovem que tinha ido para a guerra com 18 anos, e dizia uma frase simples: “Ó pá, eu fui tanta coisa: fui emigrante, fui pescador, fui fuzileiro durante sete anos, andei na guerra quatro anos… Fui para a guerra com 18 anos…”. No fim, um senhor de cerca de 70 anos que estava no público quis falar-lhe. Agarrou-o, com os olhos em lágrimas: “Eu fui para a guerra com 18 anos. Ao ver-te eu revi-me, e durante estes anos todos nunca consegui chorar. Ao ver-te foi a primeira vez que me consegui emocionar com tudo o que vivi”.
Esse momento ficou-lhe gravado na memória, até hoje. O jovem confessa que, se conseguir tocar uma pessoa que seja, já valeu a pena. E é nesta vontade de ser para os outros que reside a beleza mais pura das quatro histórias atrás retratadas: o amor pelo mundo artístico.



