A Quinta Vale da Ribeira, em Alcobaça, está a afirmar-se num segmento ainda pouco explorado da caprinicultura nacional, que é a criação de caprinos de raça Boer, vocacionada para a produção de carne. O projeto, liderado por Gonçalo Pedro, é recente, mas nasce com uma aposta clara na seleção genética, no maneio cuidado dos animais e na valorização de uma raça que, apesar de ainda estar em fase de afirmação em Portugal, tem forte expressão noutros mercados.
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De origem sul-africana, a raça Boer é considerada uma das mais importantes raças caprinas destinadas à produção de carne, distinguindo-se pela aptidão produtiva, conformação muscular e qualidade gastronómica. Gonçalo Pedro acredita que esta raça pode “mudar o paradigma da caprinicultura nacional”, tradicionalmente mais associada à produção de leite e queijo, passando a valorizar também “a qualidade gastronómica única da carne desta raça pura ou cruzada”.
A aposta da Quinta Vale da Ribeira passa, por isso, por contribuir para a valorização da carne Boer e por desenvolver uma exploração capaz de responder às necessidades de outros criadores. O objetivo é, a médio prazo, tornar a quinta uma referência na produção de reprodutores e matrizes, fixando características genéticas de excelência nas próximas gerações de animais nascidos na exploração.
Apesar de estar ainda numa fase inicial, o projeto já conquistou reconhecimento nacional. Na Feira Nacional da Agricultura, que decorreu no início de junho em Santarém, a Quinta Vale da Ribeira alcançou o título de vice-campeão nacional na categoria de machos com menos de dois anos, com o exemplar Artic Valley El Chapo, distinguido entre cerca de 70 animais a concurso.
Para Gonçalo Pedro, ter um animal premiado logo no primeiro ano de participação no concurso nacional da raça representa “um excelente reconhecimento”, que “valida o trabalho e dedicação” desenvolvidos na exploração e desafia a equipa “a continuar a dar o melhor e a melhorar o padrão dos animais”. Mais do que um ponto de chegada, o prémio é visto como um incentivo para consolidar a estratégia da quinta.
A avaliação do júri incidiu sobre os padrões da raça Boer, tendo em conta aspetos como a conformação morfológica, a condição corporal, os aprumos, a cabeça, a estrutura óssea e muscular, as linhas corporais, a postura, a mobilidade e o sistema reprodutor. Segundo o criador, o resultado alcançado por Artic Valley El Chapo demonstra que o animal reúne “um equilíbrio quase perfeito entre o potencial genético e o maneio diário”.
Num período em que a produção animal enfrenta desafios crescentes, desde a rentabilidade das explorações à diferenciação dos produtos no mercado, a Quinta Vale da Ribeira procura posicionar-se num nicho com potencial económico e produtivo. A valorização da genética, a qualidade dos animais e a possibilidade de abrir novos caminhos na produção caprina de carne são alguns dos pilares do projeto de Gonçalo Pedro e de Joana Pestana.
Entre os próximos objetivos da dupla está a consolidação da exploração e a fixação das características genéticas do animal premiado nas gerações futuras. Gonçalo Pedro quer que a Quinta Vale da Ribeira se torne “uma referência na produção de reprodutores e matrizes para outros criadores” e admite, a longo prazo, dinamizar a quinta com atividades abertas ao público, aproveitando o temperamento dócil dos animais Boer.


