O Museu Dr. Joaquim Manso deverá reabrir ao público no próximo dia 8 de setembro, feriado municipal da Nazaré, depois de cerca de uma década encerrado. A garantia foi deixada anteontem pela ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, durante uma visita ao concelho, na qual foram também abordados o futuro do Teatro Chaby Pinheiro, a eventual descentralização da gestão do Forte de São Miguel Arcanjo e a reorganização das valências sociais da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré no Sítio.
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A governante lamentou que o museu tenha permanecido fechado durante tanto tempo, sobretudo tendo em conta a projeção turística alcançada pela Nazaré. “Tivemos três milhões de visitantes nos últimos anos e é uma pena que não tenhamos tirado partido para essas pessoas saírem de cá e saberem mais da história da Nazaré”, afirmou Margarida Balseiro Lopes, defendendo que a Nazaré é “muito mais do que as ondas gigantes”.
O equipamento foi objeto de intervenção e está agora em fase final do processo de transferência para o município. De acordo com a ministra, estão a ser ultimados o valor da transferência, os recursos humanos e o envelope financeiro necessários ao auto de transferência. A passagem do Museu Dr. Joaquim Manso para a esfera municipal está prevista desde 2018, mas nunca chegou a concretizar-se.
“Vamos olhar para a frente”, pediu a ministra, assumindo o compromisso de trabalhar para que o processo fique fechado a tempo da reabertura no dia 8 de setembro, data que a Câmara pretende associar ao arranque simbólico das comemorações dos 50 anos do Museu.
O presidente da Câmara da Nazaré realçou que a visita permitiu “reforçar a articulação institucional” entre o município e a tutela. Serafim António defende que a Nazaré deve aproveitar a projeção internacional das ondas gigantes para dar a conhecer também “a identidade, as tradições e a história desta comunidade”.
A reabertura do Museu Dr. Joaquim Manso surge integrada numa estratégia local mais ampla para o Sítio, que passa por qualificar a experiência turística e devolver centralidade a equipamentos culturais como o Teatro Chaby Pinheiro. Margarida Balseiro Lopes reconheceu que o teatro precisa de intervenção para poder candidatar-se à Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses. A governante admitiu ainda que a titularidade dos imóveis pode limitar o acesso a financiamento, deixando claro que, se o Chaby Pinheiro passar para a esfera municipal, será mais fácil encontrar soluções.
O presidente da Mesa da Confraria de Nossa Senhora da Nazaré estima que sejam necessários entre 200 e 300 mil euros para intervir no teatro, além de apoios para programação. Nuno Batalha confirmou também que o projeto do novo lar terá de ser retomado do início, depois de ter sido chumbado por ultrapassar a área de construção permitida em PDM. A Confraria pretende transferir valências como o lar, o hospital e outros serviços para terrenos seus junto à rotunda da Praia do Norte, libertando espaço no Sítio.
Também o Forte de São Miguel Arcanjo entrou no roteiro da visita governamental. O equipamento pertence ao Ministério da Defesa, mas a Câmara tem defendido a descentralização da gestão. Para Margarida Balseiro Lopes, a valorização integrada do património é essencial para qualificar o turismo e garantir que a notoriedade internacional da Nazaré deixa “riqueza, legado e benefícios” para a comunidade local.


