A inclusão em Portugal está longe de ser um objetivo plenamente alcançado, sobretudo quando se fala de crianças e jovens com limitações físicas. No boccia, porém, essa diferença desaparece. Trata-se de um desporto paralímpico de precisão, disputado com bolas coloridas e uma bola-alvo, em que podem competir atletas com necessidades especiais.
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No Externato Cooperativo da Benedita (ECB), a modalidade é uma aposta há mais de uma década. O professor António José Brás, responsável pelo Boccia no Desporto Escolar há cerca de cinco anos, explica que o grupo surgiu em 2013/2014, pela mão do professor João Simões, “com o objetivo de criar oportunidades desportivas mais inclusivas para alunos com necessidades específicas”.
Apesar da aparente simplicidade, o docente sublinha que “é uma modalidade que exige concentração, controlo motor, tomada de decisão e raciocínio estratégico”. E uma das grandes mais-valias do boccia é a sua abrangência. “Praticamente todos os alunos podem participar, independentemente das suas limitações físicas”, refere o docente. O grupo integra jovens com paralisia cerebral, limitações motoras, dificuldades intelectuais e outras necessidades específicas, sendo possível jogar com as mãos, com os pés ou recorrendo a rampas de lançamento.
A inclusão faz-se também entre alunos com e sem deficiência. No ano letivo 2024/2025, uma aluna sem limitações integrou uma equipa de pares com dois colegas em cadeira de rodas, conquistando a medalha de bronze no Campeonato Nacional do Desporto Escolar. Em 2025, o ECB voltou ao pódio nacional, arrecadando medalhas de ouro e de bronze.
Mais do que resultados, o objetivo passa pelo desenvolvimento dos alunos”, explica o professor, acrescentando que o mais importante é “garantir a participação, a motivação e o desenvolvimento individual de todos”. Segundo António José Brás, muitos jovens revelam maior autonomia, confiança e capacidade de interação social.
Os alunos confirmam o impacto da modalidade. Francisco Domingos destaca o lado competitivo e humano do boccia: “O que mais aprecio é, em todos os torneios, jogar contra alguém que nunca joguei”. Já Rodrigo Marques valoriza a componente estratégica: “O que mais aprecio nesta atividade é a criação de estratégias para resolver os jogos, porque gosto de desafios”. O aluno acrescenta que representar o ECB noutras localidades lhe trouxe orgulho e permitiu desenvolver a capacidade mental e o contacto com colegas de outras escolas.
Também os encarregados de educação reconhecem as mudanças. Os pais de Francisco Domingos consideram que a modalidade “fortalece a sua autoestima, aprende a lidar com as frustrações e a superar desafios”. Já os pais de Rodrigo Marques afirmam que o filho “está mais socializado com os outros alunos e, em questão de autonomia, quer fazer as coisas mais por ele e sem pedir ajuda”, salientando ainda que se tornou mais persistente perante as derrotas.
Entre os principais desafios, António José Brás aponta o elevado custo do equipamento, com um kit oficial de bolas a rondar os 350 euros e uma rampa de lançamento a cerca de 1.700 euros. Para ultrapassar estas dificuldades, a escola recorre à criação de materiais alternativos e ao apoio das famílias nas deslocações às competições.
Para a diretora do ECB, Marisa Ferreira, o boccia está plenamente alinhado com a missão da instituição, por promover a inclusão, a cooperação e o desenvolvimento integral dos alunos. A responsável garante que o ECB está disponível para apostar em novas modalidades e deixa uma mensagem: “A missão da escola é educar todos”.


