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Com a maioria das escolas a começarem as aulas amanhã, o soar do primeiro toque da campainha marca o início de mais uma etapa para milhares de famílias na região. Entre a transição de ciclo, o ingresso em novas escolas e a contagem decrescente para o ensino superior, o regresso às rotinas das aulas é vivido com um misto de expetativas, entusiasmo e alguma apreensão, espelhado de forma diferente em cada nível de escolaridade.
Para José Bizarro, de 10 anos e residente na Vestiaria, a passagem para o 5.º ano significa deixar a pequena EB1 da Vestiaria para ingressar na Escola Básica Frei Estêvão Martins, no Agrupamento de Escolas de Cister. “Sinto-me feliz e contente”, partilha o jovem que sonha vir a ser “atleta profissional e treinador de Equitação e Triatlo”. No entanto, a mãe, Goreti Peça, não esconde o receio ao REGIÃO DE CISTER: “O meu filho vai sair de um contexto muito protegido, de uma escola de aldeia onde tinha muita supervisão, para uma escola grande. (…) Isto acarreta alguma ansiedade”. A encarregada de educação aponta como grandes desafios na nova fase a necessidade de se tornarem autónomos, bem como a adaptação ao facto de terem mais professores e… disciplinas.
Na mesma faixa etária, Afonso Estrelinha, de 10 anos, despede-se do Centro Escolar de Famalicão para prosseguir os estudos na Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio, na Nazaré. “Estou ansioso para começar. Sinto-me feliz, vou conhecer novos amigos e dar o meu melhor para ser um ótimo aluno”, afiançou Afonso, fã de matemática e que sonha ser futebolista. A mãe, Rosa Vicente, vive um “misto de emoções” e nota, tal como Goreti Peça, que “a passagem para um regime de vários professores e disciplinas gera receio quanto à capacidade de organização e autonomia”, além da exigência de adaptação a “uma escola maior e a alunos mais velhos”.
Já no arranque do 3.º ciclo, Rui Tang, de 12 anos, vai frequentar o 7.º ano também na Amadeu Gaudêncio, onde a exigência escolar aumenta. “Sinto-me muito ansioso, porque estou convicto de que vou ter menos tempo para mim. São mais matérias e tenho receio de falhar”, admite o jovem, que pretende tornar-se treinador de futebol. A mãe, Luísa Tang, acompanha a entrada na adolescência com alguma reserva, destacando a importância dos docentes: “Acredito que a forma como um professor olha para uma criança, reconhece o seu esforço e a incentiva pode fazer toda a diferença para que ela acredite nas suas próprias capacidades”, sublinha.
No extremo oposto, João Tenda, aluno do Instituto Educativo do Juncal (IEJ), prepara-se para entrar no 12.º ano, o último do ensino obrigatório. “Sinto-me feliz por terminar e por ser uma etapa concluída. Depois quererei seguir para a universidade”, refere o estudante, guardando com orgulho as amizades feitas e elencando a necessidade de tornar o ensino em Portugal mais apelativo junto das crianças e jovens: “Penso que a nível geral, as aulas e os professores não conseguem ainda atrair a atenção total dos alunos, o que nos faz perder algum interesse”.
A par do sentimento das famílias, as direções escolares ultimam a organização do novo ano letivo. No Agrupamento de Escolas de Cister, a diretora Manuela Lourenço assinala o regresso dos alunos do 2.º e 3.º ciclos às instalações da EB 2,3 de Pataias, após a deslocalização temporária para a Escola Secundária D. Inês de Castro devido aos estragos provocados pela tempestade Kristin.
A vereadora da Educação da Câmara de Alcobaça confirma que a escola abrirá com as condições necessárias: “A abertura cumprirá o planeado, em dois blocos já reabilitados e com instalações modulares para salas e refeitório”. Paula Malojo adianta que os restantes módulos ficaram instalados a 7 de setembro, prosseguindo a empreitada de requalificação global no agrupamento, que acolhe cerca de 3.800 alunos.
Na Benedita, o Externato Cooperativo da Benedita (ECB) arranca com um novo Projeto Educativo e candidata-se ao selo “Escola que Sabe BemEstar”. A diretora Marisa Ferreira realça a participação no PISA for Schools e a restrição do uso de telemóveis no 3.º ciclo para “promover ambientes de aprendizagem mais focados e seguros”. A instituição mantém a população escolar estável e prevê obras de melhoria.
Por sua vez, o Agrupamento de Escolas da Benedita regista 1.101 alunos. O diretor Marco Lemos destaca a integração no Plano Nacional das Artes, o galardão de eco-agrupamento e uma nova disciplina no 2.º ciclo com a presença em simultâneo de professores de Línguas e de Matemática/Ciências na mesma sala de aula.
Na Epadrc, que prevê cerca de 160 alunos, o diretor José Bastos aponta para a modernização das áreas práticas animal, vegetal e de restauração, além de obras no acesso pedonal. O restaurante pedagógico continuará aberto ao público às quartas e sextas-feiras.
Já no Agrupamento de São Martinho do Porto (916 alunos), o diretor Luís Silva salienta as obras na cobertura da Biblioteca/Auditório da escola-sede e a futura instalação de torniquetes.
No Agrupamento de Escolas da Nazaré, que conta 1.800 alunos, a diretora Paula Trindade explica que, após a remoção de estruturas modulares na escola-sede Amadeu Gaudêncio, serão utilizadas temporariamente oito salas no Externato D. Fuas Roupinho, enquanto se aguarda a construção de seis novas salas de aula.
Na Escola Profissional da Nazaré (EPN), a grande novidade é a conclusão do Centro Tecnológico Especializado (CTE) Industrial. O diretor Pedro Ferreira indica que a escola prevê manter 200 alunos e abrir novas turmas de 10.º ano. Dina Rolo assume funções de diretora pedagógica.
No Externato Dom Fuas Roupinho (EDFR), a diretora Filomena Matias destaca o lançamento do curso de Operador de Fotografia (CEF) e a realização de melhorias nas instalações para acolher um contingente de alunos semelhante ao do ano anterior.
Por seu turno, em Porto de Mós, o ano letivo fica marcado pelo encerramento da EB 2,3 Dr. Manuel de Oliveira Perpétua. O diretor Pedro Vala indica que os cerca de 250 alunos passam para a requalificada Escola Secundária de Porto de Mós, cuja inauguração oficial decorre a 15 de setembro. O agrupamento regista um aumento significativo para 2.830 alunos, mais 90 que no ano transato.
Por fim, no IEJ, a diretora Tânia Galeão destaca a entrada em funcionamento do novo CTE Industrial, fruto de um investimento de 1,7 milhões de euros. A escola prevê acolher cerca de 830 alunos, apostando no reforço de ferramentas digitais, Inteligência Artificial e Inglês Cambridge desde o pré-escolar.
Com o trabalho de preparação concluído e as infraestruturas ajustadas, o sucesso do ano letivo que agora se inicia voltará a depender do acompanhamento diário e do ambiente de aprendizagem proporcionado a cada estudante. Entre o frio na barriga de quem estreia o 5.º ano e o olhar maduro de quem se despede do 12.º, o regresso às aulas volta a lembrar que a escola vai muito para além dos manuais, obras ou estatísticas. É o espaço onde se cruzam vocações, onde se molda o pensamento crítico e onde professores e famílias caminham lado a lado, permitindo que cada dia de aulas se torne numa oportunidade para milhares de crianças e jovens crescerem e aprenderem.


