Família Esgaio vai a jogo

Costuma dizer-se que os pais não têm filhos preferidos e Florbela e Joaquim Esgaio confirmam a regra. Mesmo que tenham de dividir o coração sempre que os filhos Ricardo (Sp. Braga) e Tiago (Belenenses SAD) se defrontam no relvado, para o casal o empate é sempre o melhor resultado. Este domingo, os manos enfrentam-se mais uma vez, mas, como explica a progenitora, “com um empate ninguém se chateia”.

Esta não será, porém, a primeira vez que Ricardo e Tiago se enfrentam. Na época 2009/10, num jogo entre os juvenis do Sporting e U. Leiria, Ricardo sorriu pelos leões, mas na “contabilidade” dos duelos na Liga NOS o cenário é mais equilibrado: uma vitória, um empate e uma derrota para cada.

Para o pai, Joaquim, de 51 anos, os filhos dentro das quatro linhas, são apenas adversários. “Em jogo não se inibem de fazer uma falta sobre o outro se evitar um lance de perigo”, sublinha. E, qualquer que seja o resultado, “depois do jogo tudo é resolvido com um abraço de conforto”.

Aos 27 anos, Ricardo é o mais experiente dos irmãos: é o jogador com mais internacionalizações pelas seleções nacionais e joga na 1.ª Liga desde a época 2012/13. Por sua vez, Tiago, de 25 anos, chegou há duas temporadas ao principal escalão, mas já desperta a cobiça dos grandes.

Desde que coincidem no escalão principal, os manos Esgaio já jogaram um contra o outro por várias vezes e com os maiores fãs na bancada. Em janeiro de 2020, o Sp. Braga aplicou uma goleada sobre o Belenenses SAD (1-7) no estádio do Jamor e na tribuna VIP da equipa da casa lá estavam Florbela e Joaquim Esgaio. “Tínhamos um cachecol de cada um dos clubes”, recorda a mãe, de 49 anos.

Para o ex-futebolista, o sucesso dos dois laterais é fácil de entender. “É fruto do trabalho, muito trabalho”, diz, garantindo que o caminho percorrido não foram só “rosas”.

Quando Ricardo foi para a Academia do Sporting, aos 13 anos, faziam três viagens por semana a Lisboa. O pai recorda “momentos complicados” quando o filho começou a ficar permanentemente na academia. “Por vezes ligava a chorar” devido às saudades do ninho”, relembra Florbela. Com Tiago, a aposta no futebol foi mais tranquila, dado que até aos 17 anos, o nazareno ia e voltava no mesmo dia de Leiria, onde jogava.

Atualmente, e apesar de estarem em clubes diferentes, e longe de “casa”, a família Esgaio mantém os laços. “Às vezes fazemos videochamada entre todos no WhatsApp e eles tentam vir a casa com frequência”, acrescenta a mãe. Já para o futuro, Florbela e Joaquim Esgaio têm o sonho de ver os filhos fazerem “estragos” juntos. Na Liga NOS ou até quem sabe num jogo pelo clube pelo qual deram os primeiros toques mais a sério. Claro está, no Nazarenos.

Pais recordam infância com bola nos pés

Chegaram a dividir o quarto, mas era nas peladinhas pelos corredores que os manos faziam “estragos”, literalmente, em casa.

“Quando eram pequenos fartavam-se de partir coisas só a jogar à bola”, relembra a mãe, entre risos. Já o pai recorda a bola que tinha na bagageira do carro. “Qualquer sítio era ótimo para eles pegarem na bola e jogarem um com o outro”, conta Joaquim Esgaio, explicando a relação entre os filhos.

“Os amigos de um eram os amigos do outro e andavam sempre juntos”, nota. O nazareno foi mais longe e revelou ainda uma história peculiar do mais velho dos irmãos. “A primeira palavra que o Ricardo disse não foi mãe nem pai. Foi... bola”. Está explicado o amor pela redondinha que vai no sangue destes nazarenos de gema.