Heróis da Luta contra a Covid-19: Marta Sousa, teletrabalhadora

O bebé Francisco não se vai lembrar que o seu primeiro aniversário foi comemorado em confinamento, nem que a mãe entrou nos 40 em quarentena. Também não terá memória de que enquanto a mãe o amamentava dava apoio, por telefone, aos seus clientes do banco. Dificilmente também terá lembrança de que muitas das suas fraldas foram trocadas entre as várias videochamadas profissionais diárias da mãe. Mas, se tiver acesso a este texto do REGIÃO DE CISTER, saberá que a mãe foi uma heroína do teletrabalho em tempos de pandemia da Covid-19.

Marta Sousa voltou “à normalidade” em janeiro deste ano quando terminou a sua licença de maternidade. Antes de fazer o caminho entre Alcobaça e Benedita, deixava o bebé no infantário e o filho mais velho, de 8 anos, na escola primária. Só voltava a casa ao final do dia, “pegando ao serviço” do seu segundo trabalho, que é ser mãe. Mas, em meados de março o novo coronavírus travou a “correria normal”. 

Os meninos foram os primeiros a ficar em casa com o pai. A bancária ainda foi trabalhar na primeira semana do estado de emergência, mas o medo acabou por inverter a situação. “Foi uma semana de emoções fortes. Trabalho diretamente com o público e nunca sabia bem o que vinha comigo para casa. A cada regresso desinfetava tudo, não podia correr para eles nem eles para mim até ter tomado banho e garantir que tinha tomado todas as medidas de segurança”, conta Marta Sousa, que acabou por ficar em teletrabalho a partir do dia 23 de março. Do estado de ansiedade passou para um estado de loucura.

“As manhãs colam-se às tardes, as tardes colam-se aos serões e até as noites são interrompidas pelo bebé. Não há feriados, não há fins de semana. É tudo muito exigente. Estamos os quatro debaixo do mesmo teto e entre as mesmas paredes 24 horas diárias”, confessa a teletrabalhadora, que só tem saído de casa para ir ao supermercado uma vez por semana. De manhã à noite, Marta Sousa não tem mãos a medir para gerir os seus dois pilares: o trabalho, que inclui inúmeras videoconferências com clientes e superiores, emails intermináveis e chamadas constantes, e a maternidade, que implica tratar de um bebé de 1 ano e acompanhar um menino de 8 anos em aulas online e na telescola. 

“A sala transformou-se no nosso escritório”, resume Marta Sousa, confessando que as novas tecnologias se tornaram suas aliadas. “Inicialmente não foi nada fácil dar conta de tanto link e tanta plataforma, mas hoje em dia até já sou anfitriã de reuniões e tenho Instagram”, conta. Além da sua missão profissional, a Marta-bancária desempenha também um papel social no contacto com os clientes. “É preciso transmitir calma aos empresários e aos clientes, mesmo que saibamos que nem sempre vai ficar tudo bem. Sinto, acima de tudo, muita incerteza por parte das pessoas”, revela a profissional que está a trabalhar diretamente com as empresas que solicitaram apoio ao Estado através das linhas bancárias. 

Para as videochamadas, Marta não larga a sua farda profissional, ou pelo menos parcialmente: “visto sempre algo decente na parte de cima, mas nem sempre há tempo para trocar as calças do pijama”, confessa, entre risos. 

No meio disto tudo, há ainda uma Marta que gosta de yoga... “mas já tem duas semanas de aulas acumuladas”, revela. Todavia, com a sopa na Bimby e os banhos tratados, Marta Sousa ainda arranja tempo para contar a sua história ao REGIÃO DE CISTER... no Zoom. 

Francisco, a mãe foi ou não foi uma heroína do teletrabalho?