Jomazé e Arfai: empresas gémeas separadas à nascença

Uma nasceu em 1980 e a outra em 1995. A mais velha vive na Póvoa e a mais nova em Aljubarrota. A primeira é gerida por três homens e a segunda por uma mulher. Falamos da Jomazé e da Arfai e são... empresas gémeas. 

Confuso? No entender dos responsáveis das empresas não há motivos para isso. Nuno Graça é diretor comercial da Jomazé, mas bem podia ser o da Arfai. Carla Moreira é a CEO da Arfai mas também veste a camisola da Jomazé. Piorou? Ok, vamos mas é explicar isto, tim tim por tim tim.

Em 2009, duas empresas de cerâmica decorativa do concelho de Alcobaça decidiram viajar até Frankfurt, na Alemanha, para participar na Feira Ambiente. Mas, pela primeira vez, precisaram apenas de um stand para expor as peças das duas empresas. “Foi apenas uma primeira experiência, sem qualquer coordenação conjunta das coleções de cada empresa”, recorda Carla Moreira, sócia-gerente da Arfai. “Foi um teste em que ambas as empresas passaram”, considera Nuno Graça, diretor comercial da Jomazé.

O resultado positivo deu origem a um caso mais sério entre as duas empresas. Em 2010, juntaram temas, cores, padrões, técnicos, designers, sócios... e voilá: parceria feita. “Desde aí tudo passou a ser a dois: as visitas periódicas a clientes, as missões empresariais, as visitas e participações a feiras internacionais e as receções a clientes”, explica a empresária. Ao seu lado, o filho de um dos três fundadores da Jomazé confessa que até os custos destas ações são partilhados.

Com o casamento feito, as empresas deram o outro passo: ter um filho. De seu nome, Home Living Ceramics. “Foi feito um teste, de uma forma amadora, criando e registando uma marca própria para que as empresas não fossem vistas apenas como produtoras de peças de cerâmica“, explica o responsável da Jomazé. Entretanto, o registo internacional da marca também já foi concretizado e as ambições de ambas as empresas são agora ainda mais elevadas. “Queremos reforçar o valor da marca própria no volume de negócios total nos próximos anos para que todos possamos ganhar com isso”, sublinha a CEO da Arfai, acreditando que “as marcas próprias são o futuro, reduzindo a dependência que existe dos clientes“. A Arfai tem, aliás, já uma pessoa dedicada à marca conjunta, “procurando divulgá-la e promovê-la”. Nuno Graça levanta um pouco mais o véu do futuro: “Esperam-se grandes surpresas da marca a partir de fevereiro do próximo ano na apresentação da coleção na Feira Ambiente”.

Mas, afinal, como podem duas empresas do mesmo setor, sediadas no mesmo concelho e a produzir um produto tão semelhante, partilhar clientes, equipas, coleções, despesas e lucros? A primeira resposta de ambos os responsáveis é um sorriso. “O nosso trabalho é pautado pela confiança e pelo respeito que temos uns pelos outros”, sublinha Carla Moreira, que tem liderado uma “casa” que exporta 100% da sua produção e que estima atingir 2,3 milhões de euros de volume de negócios este ano. “Até porque nem há nenhum contrato assinado”, adianta o diretor comercial da Jomazé, que prevê um volume de negócios para este ano na ordem dos 2,1 milhões de euros.

A parceria entre a Arfai e a Jomazé traduz-se em cerca de 175 mil peças por ano e 20% do valor anual do volume de negócios de cada empresa. “A parceria é decisiva e fundamental para ambas as empresas“, reforça Nuno Graça. “Eram duas empresas concorrentes, que hoje são complementares“, acrescenta a empresária, considerando que “a parceria permite criar escala, reduzir custos, dar força e proteção às empresas”.

Os responsáveis apontam ainda a amizade como um dos principais fatores do sucesso da parceria. “Sou amiga da família do Nuno e o Nuno é um dos meus melhores amigos e a nossa amizade é crucial para que consigamos caminhar a dois no mesmo passo”, confessa Carla Moreira. E o Nuno, o que diz? “Acha que conseguiria posar para esta fotografia se não houvesse uma grande cumplicidade e amizade com a outra pessoa?”.  Pois... afinal não é só a Arfai e a Jomazé que são gémeas. E têm uma história de vida pela frente que ainda agora começou.