
De saída da Direção do Beneditense após quase duas décadas de funções, Luís Lopes diz que sai do clube com “mágoa”, porque, diz, “é como um casamento que acaba”. Contudo, ressalva o facto de sair com o sentimento de “dever cumprido”. Ao REGIÃO DE CISTER, o ex-dirigente fez um balanço sobre os anos em que esteve em funções.
REGIÃO DE CISTER (RC) > Porque é que não se recandidatou?
LUÍS LOPES (LL) > Entendo que chegou a altura de sair. O meu trabalho estava quase finalizado. E também devido ao facto de os seniores terem descido de divisão. 75% da decisão teve que ver com isso.
RC > O que é que deixou feito para o futuro?
LL > O sintético, que foi inaugurado a 11 de setembro de 2010, o investimento feito nos balneários, há dois anos, e que no distrito de Leiria, à exceção do Municipal de Leiria, é provavelmente dos melhores. Se havia coisa que me dava prazer era as pessoas dos outros clubes deslocarem-se ao Parque de Jogos Fonte da Senhora e ouvir conversas em que diziam que o Beneditense tem condições espetaculares. Saio do clube com obra feita, por isso estou tranquilo.
RC > Sai do clube com dívidas?
LL > Sim, saio com dívidas a alguns treinadores e fornecedores. Contudo, não são valores elevados e não é nada que seja anormal no contexto deste tipo de clubes.
RC > O que é que ficou a faltar fazer?
LL > Há sempre coisas que ficam por fazer, mas nestes clubes é sempre complicado. Não basta ter a ideia e querer fazer, é preciso que também existam apoios e condições. Gastámos quase 30 mil euros nos balneários e tivemos apenas o apoio da Câmara de Alcobaça e da Federação Portuguesa de Futebol, em que nos candidatámos a um apoio e recebemos 10 mil euros.
RC > Ainda assim, acredita que há ligação entre o clube e o “tecido empresarial” da Benedita ?
LL > Sim, 95% das vezes que pedimos apoios às empresas fomos correspondidos. O problema está na mão-de-obra. As pessoas já não estão ligadas ao associativismo.
RC > E os adeptos apoiam o clube da mesma forma que antigamente?
LL > Os adeptos estão lá. Até há pouco tempo o clube tinha apenas uma Taça distrital, e quando conquistámos duas nas últimas três temporadas isso refletiu-se. Mas o Beneditense são as camadas jovens. Quando entrámos em funções, em 2002, a primeira proposta que tínhamos era acabar com o futebol sénior, porque não tínhamos condições. Nos jogos fora tinham de ser os colaboradores a levar os jogadores e, entre todos, pagavam o almoço à equipa...
RC > Por que razão o clube não teve juvenis esta época?
LL > Na Benedita o futsal está mais forte e basta que um jogador mais influente saia para a modalidade para que outros tomem a mesma decisão. Não havia condições para a criação de um plantel, mas na próxima época o clube volte a ter o escalão, para que mais tarde possam chegar a seniores.
RC > Como fazia a gestão do plantel sénior?
LL > Apostando na formação. Esta temporada o plantel tinha 26 jogadores inscritos e 20 eram da formação, sendo que há sete épocas que o clube não paga ordenados a qualquer atleta. Existe um prémio de jogo, em caso de vitória, para os 18 convocados e o clube apoia os jogadores que estudem fora da zona.
RC > E como geriu o facto de a Catarina Lopes, sua filha, assumir o comando da equipa sénior?
LL > A ideia não surgiu de mim. A Catarina foi convidada pela Direção e aceitou o desafio. Cheguei a ouvir e ver algumas coisas menos positivas, mas foram situações que esquecia no dia seguinte.
RC > É possível que se volte a recandidatar à presidência?
LL > Neste momento estou disposto a continuar a colaborar com o clube e com a nova direção no que me solicitarem. Recandidatar-me apenas se for preciso
