Nadadores-salvadores: vigiar mais do que o mar da baía

Neste verão a bandeira vermelha já foi hasteada por três vezes na baía de São Martinho do Porto, mas não pelas condições adversas do mar. 

O denso nevoeiro, um derrame de combustível e o aparecimento de caravela portuguesa na água foram identificados pelos nadadores-salvadores, que tomaram decisões preventivas, apoiados pela Autoridade Marítima local. A função destes “vigilantes” é, precisamente, prevenir, salvar e resgatar. E numa praia cujo mar não apresenta perigo aparente, rapazes e raparigas de calções cor de laranja e t-shirts amarelas,  com apitos ao peito, asseguram qualquer ocorrência na praia. 

André Costa, coordenador da guarnição de nadadores-salvadores de São Martinho do Porto, soma já duas épocas balneares na baía. Nesse período, o grupo já salvou três vidas. “Nesta praia, mesmo não havendo suposto perigo na água, temos de estar sempre atentos: para uma pessoa que não saiba nadar é o suficiente para acontecer alguma coisa”, notou ao REGIÃO DE CISTER.

A Oeste Rescue – Associação de Nadadores-Salvadores é a entidade que assegura a vigilância e assistência a banhistas, na praia de São Martinho do Porto através de nadadores-salvadores, prestando o socorro, desde 2015. Este ano, e até à data, registou-se o salvamento de uma banhista por doença súbita inconsciente dentro de água, que após o resgate foi submetida a manobras de suporte básico de vida e oxigenoterapia, no areal, pelos nadadores-salvadores. “Posteriormente, tivemos a informação de que recuperou”, confirmou o nadador-salvador. 

Para Miguel Castro, que está a fazer a sua primeira época na baía, o principal papel da sua equipa “passa pela prevenção”. Os nadadores-salvadores estão atentos aos banhistas que ultrapassam as delimitações da zona de banhos, às atividades lúdico-marítimas, marítima-turísticas e grupos de risco. As condições meteorológicas também são alvo de observação: tanto o nevoeiro cerrado como a trovoada podem influenciar a escolha da cor da bandeira. O facto é que o mar da “concha azul” não é o principal perigo. “A parte principal do nosso papel aqui é o trabalho no areal”, confirma o coordenador. Os curativos e primeiros socorros também englobam o dia a dia dos nadadores-salvadores: socorrem picadas de peixe-aranha e outros incidentes, nomeadamente causados por bolas. 

As ocorrências mais frequentes são desaparecimento de crianças, que “acontecem todas as semanas”. “Muitas estão a brincar com outros miúdos e vão por aí sem reparar que se estão a afastar”, até os pais reportarem o desaparecimento.

Em cinco ou dez minutos é encontrada a criança. “Temos rádios para falarmos uns com os outros e rapidamente as localizamos quando desaparecem”, explicou André Costa.

Estes jovens, obrigados a ter uma formação adequada e certificada para o exercício de funções, acabam por abdicar “de férias para garantir a segurança de todos os que estão de férias”. Assim, uma guarnição de 17 (dez em permanência dária) nadadores-salvadores vigiam a praia, garantindo que todos os banhistas tenham um dia de praia mais seguro.